quarta-feira, julho 28, 2004

Espaços Internet

O último foi o da Murtosa. Há espaços Internet em toda a área da AMRIA. Esta Rede é composta por Espaços Internet Municipais localizados na sede dos 11 Municípios desta Região, a saber, Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos.

A utilização dos equipamentos e dos serviços, em todos os espaços, é livre e gratuita para toda a população e acompanhada por um Monitor.

A implementação da Rede de Espaços Internet Aveiro Digital está contemplada com um orçamento de 1,33 milhões de Euros.

Neste Projecto, inserem-se ainda os Espaços Internet Aveiro Digital de Freguesia, contemplando-se a instalação e operação de Espaços Internet em todas as 95 Freguesias da Região da AMRia.

terça-feira, junho 08, 2004

Universidade Digital

Artigo de Maria Helena Nazaré, reitora da UA,com o apoio de José Alberto Rafael (publicado no JN de hoje)


Actualmente, o recurso generalizado a sistemas e serviços informáticos é uma realidade, independentemente da área de actividade desenvolvida. No meio universitário, essa constatação é ainda mais evidente dado o ambiente altamente tecnológico e de literacia informática e científica em que se labora. Revela-se, assim, na comunidade académica, uma maior premência na concretização e implementação de novos modos de utilização e de exploração das potencialidades das novas tecnologias.

A Universidade de Aveiro tem trabalhado no sentido de ser um motor para criação de novos modelos e realidades. Para isso, aposta fortemente no formação dos seus membros e na disponibilização de meios que possam contribuir para a construção de uma autêntica Universidade Digital.

Dentro de 3 anos, a UA pretende que este desígnio esteja já concretizado em Aveiro, através da disponibilização de serviços e conteúdos aos seus públicos mais directos: alunos, docentes, funcionários, mas também parceiros empresariais, fornecedores, instituições de outros graus de ensino, de solidariedade, de saúde, de âmbito cultural, etc....

Os objectivos que a Universidade de Aveiro pretende alcançar através da implementação da Universidade Digital passam pelo desenvolvimento de estruturas e serviços que fortaleçam a comunicação, interna e externa, promovam o sucesso escolar e a participação na vida académica, e que facilitem o dia-a-dia de qualquer cidadão que pretenda interagir com esta instituição, reforçando os laços com o tecido produtivo e fomentando a interacção científica e cultural com toda a sociedade.

Esta aposta acarreta para a UA exigências acrescidas em termos de infra-estruturas de rede de suporte a esses serviços, aumento do número de sistemas, aumento das larguras de banda nas ligações internas /externas e novas facilidades de acesso.

Neste sentido, encontra-se instalada uma rede wireless que abrange todo o campus universitário e as extensões do mesmo (em Águeda, no norte do distrito de Aveiro, …), abrangendo todos os edifícios que o constituem, bem como os espaços exteriores envolventes. Tendo sido aberta à utilização pública em Janeiro de 2003, esta tecnologia "sem fios" tem vindo a ser massivamente utilizada pela comunidade académica. O crescimento do número de utilizadores tem sido exponencial: no mês de Abril registavam-se já cerca de 1400 utilizadores activos, dos quais 86% eram alunos.

Esta funcionalidade permite aos públicos da Universidade de Aveiro que usufruem do espaço do campus, mas que não disponham de um local físico pré-estabelecido para ligação à Internet (como é o caso dos estudantes de pós-graduação, ou de formação contínua, visitantes, jornalistas ou conferencistas) conseguir aceder em tempo real aos sistemas de informação disponíveis. Deste modo, qualquer utilizador pode aceder à internet em qualquer local abrangido pela rede sem fios, e assim usufruir dos serviços que caracterizam o espaço global Internet e aceder a todo o conjunto de serviços existentes no campus (a secretaria virtual, as ferramentas de ensino à distância, o catálogo da biblioteca, os conteúdos programáticos e de avaliação de disciplinas,...). A flexibilidade de instalação desta tecnologia wireless permite, igualmente, que a rede chegue a locais onde, de outra forma seria moroso, dispendioso ou difícil a instalação de cablagens, por razões arquitectónicas ou de acessibilidade.

Estes projectos, para além das implicações directas no dia a dia da comunidade universitária, pressupõem uma mais profunda alteração dos paradigmas que lhe serviram de base ao longo dos últimos séculos: a sala de aula, o laboratório ou o gabinete de trabalho pode ser qualquer ponto do campus.

Assim, é conferido valor acrescentado a cada local de trabalho, atribuindo-lhe valências, muito para além daquelas para que foi inicialmente concebido, pela capacidade de acesso a conteúdos e serviços via Internet, através de um único ponto: o computador.

Um exemplo desse paradigma é que, actualmente, na Biblioteca da UA se deixou de expandir o número de pontos de acesso físico à Internet e se detectou a necessidade de instalar dezenas de tomadas eléctricas para alimentar os carregadores dos computadores portáteis pessoais dos utilizadores da Biblioteca, que aí acedem à Internet e a todos os serviços que lhe estão associados. Mais ainda, estando fisicamente na Biblioteca da UA, um aluno pode estar a consultar remotamente, através desse seu computador, uma qualquer publicação de uma qualquer biblioteca de outro país, ler o seu e-mail, efectuar cópias de segurança em arquivos centrais, aceder a um serviço de impressão instalado noutro espaço do campus, efectuar a sua inscrição num exame, ou fazer exercícios práticos ou mini-testes de determinada disciplina, tendo acesso à sua correcção, etc.…

Não estamos a falar de ficção científica, esta é a realidade concretizável através da exploração das estruturas e dos meios que as tecnologias proporcionam. Mais importante, até, que a expansão e a massificação das tecnologias é a sua disponibilização e adequação aos fins para que são criadas. È nesse sentido que a Universidade de Aveiro tem vindo a consolidar e a expandir a constituição de diversos serviços de utilização corrente e generalizada sobre esta plataforma digital: é o caso da Secretaria Virtual, do Légua (um repositório sistematizado de legislação, normativos e deliberações e manual de procedimentos da Universidade), do acesso digital à Biblioteca, dos serviços suportados pelas plataformas de e-learning. Integrados no conjunto de projectos submetidos pela UA ao Programa Aveiro Digital, estarão também em utilização, a muito breve prazo, sistemas integrados de gestão de recursos humanos, de gestão documental e de gestão de infra-estruturas da UA, de monitorização remota de sistemas e serviços informáticos, entre outros.

Estamos, assim, convictos de que esta linha de intervenção da UA se assumirá como um contributo para o desenvolvimento de uma sociedade informada, produtora de conhecimento, competitiva e integrada.


Não é ficção científica, mas uma realidade concretizável através da exploração de estruturas e meios

sábado, maio 29, 2004

Duas boas crónicas...

...sobre questões da realidade tecnológica, feitas pelo Dito Cujo: aqui e aqui

quinta-feira, julho 17, 2003

Pacheco Pereira e o deposito de Blogues

Pacheco Pereira coloca o dedo na ferida em opinião publicada hoje no Público. Como estes textos só ficam disponíveis durante 7 dias, nada melhor do que colocar o texto todo aqui.
E fica a ideia: que tal criar um arquivo de blogs?

O "DEPÓSITO OBRIGATÓRIO" DA INTERNET PORTUGUESA
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Quinta-feira, 17 de Julho de 2003

Uma parte muito significativa do retrato do Portugal contemporâneo perde-se todos os dias sem apelo nem agravo: a Internet portuguesa. Se bem que eu seja suspeito de querer fazer e guardar o mapa com o tamanho do país que representa, ou seja tudo, nem por isso deixo de me preocupar com essa evaporação invisível dos "bits", assim como de outras formas de "efemera", onde uma parte muito especial do nosso país devia ficar para a memória colectiva.

Guardamos e bem os jornais de paróquia, perdemos e mal as páginas pessoais, os fanzines obscuros, as revistas electrónicas, os blogues apagados, os "sites" de futebol, os locais de raiva e paixão, "hobbies" curiosos, páginas que duram a brevidade de uma campanha eleitoral, elogios e insultos (mais os insultos) nos "newsgroups", "chats" estudantis com linguagens únicas, grafismos de "pastiche", mas reveladores de um gosto ou de escolhas de imitação, músicas experimentais, primícias literárias, obsessões, cultos, etc., etc. Deixo de parte outro aspecto, mais de arquivo do que de "biblioteca", do registo permanente de muita da actividade institucional, governo em particular, e que já se faz usando correio electrónico, que se apaga para sempre, sem o registo mais durável do papel. Nos EUA esta é uma questão controversa, mas para a qual já se avançou com legislação cobrindo o correio electrónico e as mensagens.

O Portugal que fala na Internet é apenas uma parte do Portugal contemporâneo, uma parte muito reduzida, com acesso ao computador, socialmente muito definida, em grande parte urbana e juvenil. Mas a sua voz mostra-se na Internet como em nenhum outro lado, numa altura em que cada vez há menos cada uma destas coisas em papel. E, se não se pode conhecer a vida de uma aldeia ou vila pequena sem o jornal local, mesmo que se fique pelas notícias de formaturas (em desuso a não ser nos jornais de emigrantes), casamentos ou necrologias, também será difícil perceber os nossos dias sem a Internet portuguesa.

Não me refiro sequer às revistas mais estruturadas como a Zona Non ( http://zonanon.com/ ), o Ciberkiosk ( http://www.ciberkiosk.pt/ ) (já falecido), a Storm ( http://www.storm-magazine.com/ ),ou ao excelente "site" sobre o pensamento político no Portugal contemporâneo que José Adelino Maltez tinha e que também parece já ter morrido. Refiro-me ao mais precário, às páginas que um descendente moderno dos autores de monografias locais mantém sobre a sua aldeia, ou ao álbum do fotografias de uma família, ou a uma página de um pequeno clube de futebol ou xadrez.

Veja-se o caso da blogosfera. A blogosfera devia ter um "depósito obrigatório" imediato. Os blogues, enquanto formas individualizadas de expressão, originais e únicas, são uma voz imprescindível para se compreender o país em 2003. Eles expressam um mundo etário, social, comunicacional, cultural, político que, sendo uma continuação do mundo exterior, tem elementos "sui generis". Nenhum retrato da direita portuguesa em 2003 pode prescindir dos blogues da UBL ( http://blogues-livres.mirrorz.com/ ), nem um da esquerda do Blog de Esquerda ( http://blog-de-esquerda.blogspot.com/ ); nenhum retrato dos consumos culturais lisboetas de vários blogues "culturais" como O Crítico ( http://criticomusical.blogspot.com/ ), ou a Janela Indiscreta ( http://blog-de-esquerda.blogspot.com/ ); nenhum retrato do jornalismo sem os blogues de jornalistas; nem nenhuma história da obscenidade nacional (uma velha tradição portuguesa de Bocage a Vilhena) pode prescindir de O Meu Pipi ( http://omeupipi.blogspot.com/ ). Mil e um pequenos eventos, concertos de música, sessões literárias, jantares de jovens intelectuais, crónicas sociais de outro tipo de "sociedade", que nunca chegam aos jornais, encontram aí relatos testemunhais complementares dos do jornalismo tradicional. É um bocado como a correspondência no século XVIII e XIX, uma rara fonte para um reverso da história institucional oficial ou dos seus avatares.

Esta é uma tarefa patrimonial importante e é sabido que penso ser o património a essência das tarefas que cabem ao Ministério da Cultura. A lei que obriga ao depósito obrigatório está completamente desactualizada, e uma nova lei está a ser discutida há tempo demais, sem andar para a frente. Algumas tentativas sem continuidade foram feitas na Biblioteca Nacional, incluindo um estudo em colaboração com o ISCTE sobre o "arquivamento" da Internet, já em 2001. Depois disso o que é que se fez?

Quem é responsável, quem manda e não está a cumprir com as suas obrigações? Alguém há-de ser. Entretanto, continua a canalizar-se milhares de livros para instituições que não tem hoje qualquer sentido funcionarem com "depósito obrigatório". O anacronismo da lei aumenta as pilhas de livros e periódicos inúteis porque impossíveis de classificar, catalogar ou disponibilizar, desbaratando esforços que seriam mais úteis noutras actividades. Conheço pelo menos um caso em que vão para o lixo discretamente. Também tenho a certeza de que se lhes quiserem tirar o "depósito obrigatório" vão gritar por todos os lados.

O anacronismo mais prejudicial da lei é a sua dominação pelo papel, por guardar tudo o que é de papel e feito numa tipografia - exceptuando cartões de visita, facturas e impressos ...- e ignorar ou deixar num limbo perigoso todos os outros suportes de informação, ou mesmo espécies em papel que surgiram nas últimas décadas com a facilitação dos meios de impressão.

A lei ainda pensa nas tipografias de chumbo, e não nas impressoras a laser. Eu conheço nalgumas livrarias "alternativas" (e tenho na minha colecção) centenas de espécies que não estão na Biblioteca Nacional. Que tal é a vossa colecção de "O Berro - Arauto da Tertúlia Académica de Direito", do "Laranjinha", boletim do PSD de Torres Novas, do "Mais por Sintra - Jornal de Campanha da Candidatura de Edite Estrela" ou da "Voz do Povo -Boletim Informativo dos Grupos de Estudo Che Guevara" ? Pode ser que tenha acertado em algum que exista nos catálogos, mas não me parece. Quem guarda os CD-ROM, quem guarda os discos alternativos, quem guarda os fanzines, quem guarda os panfletos políticos e a parafernália dos objectos de campanha, quem guarda os arquivos digitais, quem guarda a Internet portuguesa?

Ninguém, diz o romeiro