terça-feira, abril 01, 2003

Ler em crise

Se estamos em crise ou não, isso serve como motivo para inúmeros artigos mas não nesta coluna. Aqui escreve-se tendo como premissa que o leitor precisa de tecnologia, até tem tecnologia em casa (em abundância) e precis de alguma lógica centralizadora.

Quando adquirimos um leitor de CD-ROM, uma aparelhagem ou um computador (sem falar numa câmara de vídeo e/ou máquina fotográfica digital, é imperioso, nos dias que correm, optar tendo em conta a convergência e os equivalentes do que temos em casa. Por uma simples e prática razão: dinheiro!

As características técnicas do que adquirimos são importantes, sem dúvida, mas o orçamento suplementar para adequar as várias aquisições tecnológicas poderá ser um argumento decisivo. Há inúmeros exemplos para vos mostrar.

A aquisição de uma aparelhagem ou somente um módulo depende das capacidades financeiras e de adaptação para o local que se destina, mas é completamente dispensável se o objectivo é ouvir um CD no local da casa (tipo escritório) onde está o computador. Há sempre soluções convergentes e o planear cuidado das aquisições é fundamental.

Vejam o caso de uma máquina fotográfica: para quem não tem computador é melhor esqauecer outra opção que não uma máquina fotográfica normal, compacta ou “reflex”. Mas para quem tem uma reflex, talvez seja melhor, na altura da aquisição de uma digital, aquela que receba as objectivas que temos a mais. Por outro lado, se adquirimos uma máquina fotográfica digital e já temos outro equipamento parecido, convém ver o sistema de armazenagem: quem tem uma Microdrive estará interessado em ter um equipamento com Compact Flash mas quem tenha um portátil Sony poderá estar interessado num com MemoryStick.
Para quem vai construir uma casa, o importante é ter toda a casa com cabos de rede, dado que o custo é insignificante (talvez mais 500/1000 euros) e as capacidades obtidas são múltiplas. Já numa casa que não deva ter fios, os sistemas wireless são um “must”...

terça-feira, março 25, 2003

Solidários

Estou a utilizar um computador. No meu dia-a-dia. Quem me lê, decerto usa um. Ou dois. Ou mesmo três, quando não são dos que têm três computadores em casa e por vezes o portátil do emprego.

Nas empresas começam a existir computadores em todas as esquinas. Aliás, em todo o lado. E esses computadores estão a ser utilizados numa pequena parte da sua capacidade. E nem sequer estou a referir-me a projectos de partilha de capacidade de processamento. Estou a falar do aproveitamento de computadores antigos.

As empresas e outras instituições, especialmente aquelas mais industrializadas, costumam ter computadores antigos, cujas actualizações ou exigências profissionais transformam em “óptimos pesos-mortos” que só exasperam o seu (ainda) utilizador ou nem para isso servem, pois estão desligados a um canto.

Esses computadores podem ajudar muitos. Podemos ter uma geração futura que saiba mais sobre computadores mas, mais do que isso, podemos ter uma geração presente – quer nova quer menos “nova” – a aprender mais sobre a ferramenta que mudou a nossa forma de trabalhar.

A forma de ajudar pode simples e requer pouco esforço. O conceito parte do princípio que existe solidariedade. Este conceito poderá ser uma realidade num futuro próximo e apoiar um conjunto de pessoas para quem o “digital divide” – a designação universal entre info-incluídos e info-excluídos – é mais do que algo que não entendem, uma realidade concreta: a de imaginar o computador, as novas tecnologias – sim, até o telemóvel – como um papão imenso...

jmo@esoterica.pt

terça-feira, março 18, 2003

Marcar a diferença

Como vos lembrei numa das mais recentes crónicas, é fundamental pensar no interesse dos conteúdos que se colocam num site Internet. Aliás, é mero senso comum, lembrar algo que deve presidir ao nosso quotidiano – pensar antes de fazer, organizar matérias e só depois andar para a frente.

A organização é fundamental e muitas das queixas que se recebem dos sistemas electrónicos passam, curiosamente, pela suposta falta de organização. As queixas variam entre o correio electrónico publicitário não solicitado (mais conhecido como SPAM), o excesso de e-mail recebidos, a massa dispersa de informação na Internet ou o pouco tempo que têm disponíveis.

Para outros, as ferramentas com que trabalham não os ajudam.

Se para certas matérias eu não tenho solução possível, queria ajudar-vos um pouco na gestão dos serviços, sites e ferramentas que usam na Internet. A solução é das mais fáceis que até agora encontrei e consegue-se atingir um resultado satisfatório em pouco tempo.

Basicamente, sugiro que utilizem as actuais ferramentas que devem ter no computador (ferramentas do tipo Office) e o espaço em disco que qualquer fornecedor de acesso possibilita para a criação de uma homepage. A partir disso, é só trabalhar um pouco e conseguir que tudo o que interesse esteja disponível onde quer que se encontre.
A Microsoft, no Windows XP, já começa a lançar esta ideia. Mas eu sugiro que cada um faça de forma manual.

Para começar, crie um documento (Word, por exemplo) com descrições e links para todos os serviços que habitualmente precisa: desde os jornais que lê até ao site da TV Cabo ou de assinante TMN, do banco online até à EDP. Escreva todos os links. Faça o mesmo com o calendário do Outlook, os seus contactos, outros ficheiros inadiáveis. Faça ligações entre eles e grave como uma página web. E envie. E tem tudo disponível, num endereço que só você é que sabe...

Os utilizadores de Mac, mais concretamente das últimas versões, têm tudo o que até agora escrevi muito integrado no computador. Lógicas Apple
Recomendação óbvia: existem na net serviços que permitem guardar, com username e password a informação...

terça-feira, março 11, 2003

Governo electrónico



O Governo Electrónico tem a ver com o relacionamento integrado dos vários departamentos governamentais na utilização das tecnologias, com vista à prestação de melhores serviços e informação aos cidadãos e empresas.

O Governo Electrónico não é somente um projecto tecnológico. A sua parte fundamental consiste na definição de standards comuns para o Governo, na prestação de serviços de forma mais eficiente e na promoção de um trabalho integrado entre os departamentos governamentais, aproveitando ao máximo as potencialidades da tecnologia. Nos dias de hoje, queremos e necessitamos que a informação e os serviços governamentais estejam disponíveis 24 horas por dia 7 dias por semana.

A sociedade portuguesa adoptou rapidamente as novas formas de comunicação e o Governo Electrónico pretende ser a resposta do Governo de Portugal a este novo desafio. O Governo Electrónico vai permitir a prestação de novos e melhores serviços aos cidadãos e promover uma economia baseada no conhecimento e na prosperidade sustentável. Vai também facilitar às empresas fazerem negócio com o Governo e obterem informações de forma mais rápida e barata.
É importante que todos os desenvolvimentos futuros e investimentos realizados no âmbito do Governo Electrónico sejam realizados de uma forma integrada e coordenada entre si. Deste modo, a definição de eixos de intervenção, prioridades e metas quantificadas para o Governo Electrónico encontra um enquadramento estratégico integrado no Plano de Acção que a UMIC irá apresentar.

Acha que esta visão tem algo a ver consigo? Acha que isto o poderá ajudar no seu trabalho, na sua empresa ou no seu dia-a-dia? Gostava de ter a sua opinião. Envie-me um email para jmo@esoterica.pt

segunda-feira, março 03, 2003

Bons negócios

Bons negócios

Estou a iniciar um projecto editorial lembrando o que foi o início da Internet em Portugal e tem sido com um pouco de nostalgia que tenho acompanhado a lógica empresarial dos dias que correm. A sério.

Nos primeiro tempos de Internet com alguma lógica comercial, acompanhávamos as grandes mudanças com o interesse de ver algo de novo a surgir – não a fechar – e com a garra que algo estava a mudar no mundo.

Duas ou três noticias desta semana deram-me a mesma sensação. A Overture adquiriu o Altavista e o projecto AlltheWeb.com, um conceito muito interessante que estava com alguma falta de fundos. Por sua vez, o Google adquiriu o conceito mais interesante da Net, através de uma das empresas com mais garra – o Blogger

Estes negócios irão gerar alguma expectativa, estou certo, mas os utilizadores vão tirar partido de vantagens e não de desvantagens. Ao contrário de outros projectos…

Se os projectos comerciais em Portugal não vingam, ou pelo menos não o aparentam, cabe a uma das iniciativas governamentais – o “Cidades/Regiões Digitais” esse espírito. Desde que trabalhem bem os diversos consórcios. Desde que não trabalhem em circuito fechado. Desde que o objectivo não seja satisfazer alguns amigos mas sim trabalhar para o bem comum e para projectos inovadores.

Não posso aceitar, como infonauta, as ideias de fecho de conteúdos de forma total que algumas entidades portuguesas iniciaram de forma irreversível. Há projectos com lógica, há projectos bonitos… e há modelos de negócio. Há formas de conseguir que os projectos vivam. Há condicionantes a ter, questões de marketing… Será que as pessoas esqueceram-se da racionalidade?

Se querem racionalidade, dou-vos um exemplo: quanto gasta a empresa “X” em publicidade? Ou em marketing? E quanto é que o site dessa entidade noticiosa custa por ano? E quantos visitantes têm? Esquecem-se dos benefícios para o nome da empresa? Basta fazer as contas e reparar que afinal há outras maneiras de sustentar um site! Basta querer.

terça-feira, fevereiro 18, 2003

eEurope

O Plano de Acção eEurope 2002, concebido para colocar a Europa online o mais rapidamente possível, "foi um sucesso", atingindo os principais objectivos propostos, segundo a Comissão Europeia, que divulgou as suas conclusões na semana passada.
Disponível em http://www.europa.eu.int/information_society/eeurope/news_library/index_en.htm , o relatório final sobre o eEurope 2002, um plano centrado em 11 áreas estratégicas e 64 indicadores, - e que foi lançado no Conselho Europeu da Feira, em 2000, durante a presidência portuguesa da União Europeia (UE) indica que o número de lares europeus ligados à Internet mais do que duplicou entre 2000 e 2002, situando-se actualmente nos 43 por cento.

Portugal está um pouco abaixo da média europeia neste indicador, já que apenas 32 por cento dos lares nacionais possuem ligação à Internet, ainda assim à frente de Espanha (31 por cento) e Grécia (14 por cento). Neste capítulo, a Holanda, Dinamarca e Suécia lideram o processo, qualquer deles com mais de dois terços dos lares ligados à Internet.

Algo que os estudos não escondem é que a utilização da rede continua a ser predominantemente masculina. Em Novembro de 2002, apenas 47 por cento das mulheres afirmavam navegar na Internet contra 60 por cento dos homens.
O mundo empresarial, pelo seu lado, trabalha bem. Está mais ligado à Internet dos que os lares, mostrando os indicadores que mais de 90 por cento das empresas dos Quinze possuem uma conexão à rede. O relatório vinca, contudo, que a esmagadora maioria das
conexões à Internet na Europa continuam a ser feitas através de ligações telefónicas em banda estreita, embora o cabo e o ADSL comecem a ganhar terreno.

No que diz respeito à situação nas escolas, o documento revela que mais de 90 por cento dos estabelecimentos de ensino europeus estão ligados à Internet e que, em 2002, existia um rácio de cerca de 10 alunos por cada computador off-line, contra os 12 existentes em 2001. O número de alunos por computador online desceu também de 25 para 17 no mesmo período.

Por outro lado, a Europa possui hoje a mais rápida rede vocacionada para a investigação do mundo, a GEANT, que interliga centros de investigação em 32 países, incluindo Portugal. Acelerar o comércio electrónico será uma das prioridades para o futuro, uma vez que, em Novembro de 2002, apenas 23,5 porcento dos utilizadores da Internet na UE compravam online. Portugal fica mais uma vez longe da média europeia, com os cibercompradores a ficarem pouco acima dos 10 por cento do total de utilizadores.
Estes são os números da realidade... Aqueles que dão que pensar!

jmo@esoterica.pt

terça-feira, fevereiro 11, 2003

O mistério do site sem ROI

Já todos sabem a cartilha que impera no presente: em termos de tecnologias, pensa-se em integração, sites com ROI (“return of investment” – retorno do investimento) ou possibilidades do mesmo se efectuar num curto período de tempo e negócio...

Ora para os mais antigos, isso nunca foi o espírito da Internet. Muito embora o lirismo já não impere como antigamente, os verdadeiros projectos partiram de quem acredita neles, de quem considera que uma determinada ideia deve estar disponível na Internet e que o retorno – se é algo quantificável – chegará por outras vias – ou pela própria.

Se vender uma ideia é algo de complicado, temos que pensar que aquilo que aceitamos colocar na Net só em determinados casos terá algum interesse para o consumidor/leitor/cliente. Lembrem-se que, quando se escreve um livro, provavelmente não se venderá toda a tiragem. As pessoas poderão comprar e não lê-lo... As vantagens daquilo que se coloca na Internet é que todos podemos ler (ou não, basta fechar...) e podemos interagir... Uma liberdade imensa que a interactividade permite. Há que aproveitá-la!


A verdade é que os projectos de sucesso – que curiosamente depois de vendidos perdem a sua “aura mágica” foram aqueles que não tiveram ao lado, quase ao mesmo tempo que o “word” (sim, temos que nos livrar do uso daqueles preciosismos linguísticos do tipo “bloco e caneta”) a calculadora, o balanço anual e o potencial retorno do investimento. Sem esses, com engenharia, boas ideias e programação, surgiram projectos de sucesso. Aqueles em que responsáveis de projecto tiveram que sujeitar os seus orçamentos a directores e calendarizar verbas costumam ter um destino. Mais dia, menos dia vão dizer que a pessoa não conseguiu cumprir o orçamentado e fechá-lo!

A verdade é que as boas ideias continuam a existir. Em poucos dias li e comentei duas que me chegaram às mãos devido a questões profissionais. Era ideias que iam ter sucesso e, sei, pelo menos uma irá ter. Porque ainda há pessoas com o espírito antigo, o de “fazer por fazer” que resulta nas melhores oportunidades...

terça-feira, fevereiro 04, 2003

DVD

A estrela do Natal. A estrela electrónica de 2002. Um dos electrodomésticos que conseguiu ultrapassar o estatuto de “gadget” para se guindar ao de “standard” de qualquer sala de estar de casa média portuguesa. Para isso contribuiu o baixar drástico de preços – a lógica de uma máquina com recursos q.b. para atingir vendas de massas, as ofertas e o interesse num coleccionismo digital. É que vale muito mais a pena adquirir uma colecção com tecnologia digital, que ainda se manterá durante algum tempo do que os vídeos e os seus problemas de armazenamento.

Adquirido o leitor, passa toda a questão para a aquisição de filmes, musicais e todo o tipo de produtos vendidos em DVD. Aliás, se antes existia alguma preocupação sobre a quantidade de formatos que certos modelos conseguiam ler – MP3, VCD, CD-R ou CD-RW – agora a preocupação é apenas uma: para o cinéfilo apressado e amante da língua inglesa, a aquisição de um leitor “artilhado” com leitura multizonas é fundamental. Para os outros, basta a zona dois, a da Europa, para ver as últimas novidades, pensar no que adquirir em Portugal ou no estrangeiro, entre outras coisas.

Se a língua portuguesa é um óbice, então tenha muita atenção aos sites que visita. Na Amazon (em http://www.amazon.co.uk dado que a versão americana não é muito interessante, em termos de preço, envio e possibilidade da alfândega nos aborrecer) as informações técnicas são diminutas, tendo o utilizador que recorrer à melhor base de dados que existe para cinéfilos e amadores de filmes: IMDB – Internet Movie Database – e que dá informações, nomeadamente, da versão inglesa do filme. Claro que há um grande factor positivo: o sistema de comentários, sinopses e informações da Amazon. No IMDB, o que é completamente imparável é a informação: fundamental e divertida, um espaço óptimo para uma pessoa perder horas!

Noutro local que uso, BlackStar as informações são muito mais interessantes, em especial no que se refere aos aspectos técnicos da versão que pretendemos adquirir. Outra grande vantagem é as “pre-orders”, que permitem antecipar a aquisição de DVD de filmes que só irão sair muito mais tarde (o que possibilita que logo que se veja um filme se pode adquirir a possibilidade de o comprar...). É uma questão de procura!

jmo@esoterica.pt

terça-feira, janeiro 28, 2003

Inovação e Tecnologia

Sei que este não é um tema que “venda”. A área das novas tecnologias tem muito mais atractivos e a inovação é aquela matéria pouco “palpável” que as pessoas têm dificuldade em explicar e ainda menos em perceber.

No âmbito da União Europeia existem programas específicos nesta área que pretendem dar um empurrão decisivo para a consolidação do desempenho europeu em matérias tão diversas como a nanotecnologia, a energia atómica, ciências da vida, entre outras. Claro que é privilegiado quem aposta na investigação e quem já tem redes multi-europeias já criadas.

Conhecido por “6º PQ” ou sexto programa quadro de ciência e tecnologia, este constitui o principal instrumento de financiamento da investigação na Europa. O PQ abrange um período de cinco anos, verificando-se uma sobreposição entre o último ano de um PQ e o primeiro ano do PQ seguinte. O 6º PQ corresponde ao período 2002-2006.

O 6º PQ tem como objectivo contribuir para a criação de um verdadeiro “Espaço Europeu da Investigação” (EEI). O EEI é uma visão para o futuro da investigação na Europa: um mercado interno da ciência e da tecnologia. Incentiva a excelência científica, a competitividade e a inovação através da promoção de uma melhor cooperação e coordenação entre os intervenientes relevantes a todos os níveis. O crescimento económico depende cada vez mais da investigação e muitos dos desafios presentes e futuros para a indústria e a sociedade já não podem ser resolvidos apenas a nível nacional.

A Comissão Europeia é responsável pela execução do PQ, que tem um orçamento de 17,5 mil milhões de euros. Este montante representa perto de 4% do orçamento global da UE (2001) e 5,4% de todas as despesas públicas (não militares) em investigação na Europa. Sete por cento deste montante (1 230 milhões de euros) serão gastos em investigação nuclear no âmbito do programa-quadro Euratom.

Este ano, ou melhor, neste próximo programa-quadro serão também apoiadas as actividades que criem Redes de excelência, que tem por objectivo o reforço e desenvolvimento da excelência científica e tecnológica da Comunidade, integrando a nível europeu as capacidades de investigação existentes a nível nacional ou regional. Visa também incentivar a cooperação entre as universidades, centros de investigação, empresas (incluindo as PME) e organizações científicas e tecnológicas, orientando as actividades para objectivos de longo-prazo e pluridisciplinares. Os projectos integrados são também outra face visível desta nova forma de pensar. Portugal não pode desperdiçar estes dinheiros!

quinta-feira, janeiro 23, 2003

Banda Larga

Antes de começar a tratar de pormenores mais básicos, gostava de referir um ponto fundamental para o fruir de uma Internet interessante, que dê uma experiência útil ao consumidor e que até o faz feliz na carteira, porque sabe o que paga antecipadamente: Banda Larga.

Creio que a questão tecnológica fundamental para o crescimento exponencial da Sociedade da Informação e do Conhecimento é a "banda larga para todos", a preços comportáveis.

Isso passa por desenvolver uma política que permita o crescimento do acesso com largura de banda, com concorrência entre a rede fixa (cobre com tecnologias xDSL) e o cabo, por um lado, e o estímulo ao surgimento de redes alternativas ou complementares - em formato “wireless”, por exemplo. Temos de tirar partido das várias redes existentes, estimular a inovação e a criatividade neste domínio, dar força a quem queira investir nestas infra-estruturas, nevrálgicas para a produção, acesso e difusão de Conhecimento.

A banda larga é o verdadeiro motor do “e-learning”, dos Conteúdos multimédia, do comércio electrónico, da tele-medicina, das indústrias de tecnologia avançada (automóvel, moldes, aeronáutica, etc.). Sem banda larga, não podem os cidadãos e as empresas tirar todo o partido das potencialidades de terem acesso ao conhecimento, que é hoje a principal fonte de vantagem competitiva.

A capacidade de acesso à Internet de banda larga trás consigo a transformação da forma como nós vivemos, aprendemos e trabalhamos. A verdadeira banda larga significa muito mais que uma Internet rápida. Com ligações de alta velocidade, “always on”, com bidireccionalidade de voz, dados gráficos e vídeo, a verdadeira banda larga é chave para a próxima geração de serviços de comunicação.
A generalização da banda larga aumentará a eficiência e a produtividade no trabalho e em casa e abrirá um rol de novas oportunidades de negócio. Os benefícios para a qualidade de vida são difíceis de mensurar, dado o seu profundo impacto.
E até ter banda larga em casa é relativamente fácil... o problema é a PT colocar a banda em certos locais...

quinta-feira, janeiro 16, 2003

Campus Virtuais

O Governo vai lançar para a semana o projecto Campus Virtuais, que vai permitir a criação de «campus» virtuais nas universidades portuguesas e institutos politécnicos. A iniciativa, que passa pela instalação de redes de comunicação de banda larga sem fios nos estabelecimentos do ensino superior públicos e privados, apoio à aquisição de computadores equipados com essa tecnologia por professores e alunos e dotar as universidades de mais serviços baseados na Internet, vai ter um impacto que julgo muito importante.

Quero frisar que sou parte interessada, dado que trabalho para a entidade que vai lançar este programa: a UMIC. No entanto, acho que o assunto merece estas linhas e a vossa atenção. O objectivo é fomentar a criação de serviços universitários online que proporcionem a produção e partilha de conteúdos académicos entre estudantes e professores do ensino superior
Esta teia académica pretende declarar “guerra” aos antigos modelos de preparação de aulas. Serviços e disciplinas da universidade terão tendência para se deslocarem para meios informáticos. Serão os alunos que obrigarão os professores a colocar os seus materiais de apoio às disciplinas na Web. Desde links a livros em pdf, desde slides de apoio em powerpoint às notas, tudo poderá estar lá colocado.

Esta pretendida revolução de métodos de trabalho que o mundo universitário português vai viver nos próximos anos vai beneficiar não só alunos e professores como também os serviços administrativos dos estabelecimentos de ensino superior. «Vai ser possível optimizar recursos e eficiência, já que os serviços podem funcionar 24 horas por dia e em interacção com o Ministério da Ciência e do Ensino Superior», exemplificou Diogo Vasconcelos em entrevista ao Expresso.

Os professores vão poder beneficiar significativamente não só porque passam a ter formação em tecnologias de informação, para evitar o «gap» geracional com estudantes (ex: cursos que habilitem os professores a leccionar com apoio de aplicações do tipo «power point»), como também porque terão acesso aos serviços da faculdade sem interrupções, podendo efectuar operações desde a requisição de documentos até à colocação de notas. Ou ainda colocar e buscar sebentas «online» («e-books»), comprar livros online com desconto ou ainda apostar no «e-learning».

Sei, por algumas críticas que tenho recebido, que preferem artigos onde escrevo mais sobre o dia a dia de quem usa as tecnologias mais do que as visões críticas ou imaginativas de quem pensa num futuro melhor com o uso. Desta forma, irei escrever mais artigos relacionados com uma lógica de “consultório” ou de sugestões de uso das tecnologias e por isso solicito-vos que me informem sobre que temas gostariam de ver referidos, para que as minhas crónicas sejam, cada vez mais, aquilo que os leitores preferem…

terça-feira, dezembro 31, 2002

Pequenos problemas

Prepare-se para olhar para o seu computador como nunca olhou: para um instrumento de trabalho e não como um mero amontoar de problemas...

Primeiro passo. Analisar os problemas. Que tipo de computador tem? Que sistema operativo, processador, disco rígido... são pontos importantes mas não fundamentais. A outra pergunta fundamental para resolver grande parte dos problemas que tem com o seu computador é a seguinte: quais são as suas necessidades?

Nem imagina a quantidade de pessoas que perde dinheiro, tempo e recursos a fazer actualizações quando utiliza o seu computador como uma simples máquina de escrever inteligente.

Primeiro pense. Depois volve a pensar. A sua máquina é utilizada por quantas pessoas? A sua máquina serve para gerir o seu pequeno negócio, é entregue aos miúdos para conteúdos didácticos e jogos ou é a parceira fundamental para as suas apresentações?

Utiliza-se a Internet de forma exaustiva ou apenas para responder a e-mail? Áudio e vídeo são prioridades ou apenas subutilizações negligenciáveis?

Pode achar que são perguntas de retórica mas não o são. São perguntas fundamentais para avaliar da real necessidade de comprar um computador novo ou actualizar o antigo, de passar para o sistema operativo mais recente ou manter-se no fiável e quase perfeito sistema anterior, se deve comprar um modem ou ter ADSL ou RDIS, etc, etc...

Claro que todos andamos à procura do computador perfeito, que sirva para o homem de negócios e para o programador, do audiófilo ao editor de vídeo e do “puto” lá de casa à sua avó que entra em chats com vídeo. Pois... e já agora um Ferrari que leve uma família de sete pessoas na garagem, pode ser?

A verdade é que os computadores estão a ser feitos, cada vez mais, à medida das necessidades de cada utilizador, tentando que uma plataforma comum permita ser depois personalizável e actualizável pelas necessidades específicas do utilizador.

Este precisa ter certos conhecimentos básicos, necessários até, de forma a obter o melhor dos computadores que tem em casa... Bom Ano Novo!

sábado, dezembro 28, 2002

Aqui vão estar, em arquivo, todos os meus Info.id e as saudosas crónicas "Nos Canais dos Novos Media"

terça-feira, dezembro 24, 2002

Prendas de Natal

Atrasado, mesmo com as novas tecnologias, veio o Pai Natal. Será que valia a pena ele chegar, com as poucas notícias que vamos tendo para agradar este meio?

A verdade é que estamos a uma semana do final do ano e aquilo que sabemos é que a ANACOM decidiu adiar, logo por um ano, a abertura da terceira geração. O mercado bolsista agradece, as operadoras agradecem, os cidadãos se calhar não. Mas para quê bater mais no ceguinho? Instalou-se a filosofia que a terceira geração não era aquilo que sempre sonhámos. O mais curioso é que são exactamente os mesmos que nos disseram o contrário – as consultoras, as operadoras – que agora estão a vender “este peixe”. Dá para desconfiar, dá para não acreditar.

Também foram os mesmos que nos venderam a ideia que a Internet gratuita irá acabar… Essa, eu não comprarei nunca e a mesma irá se manter muito para além da morte deles.
Mas não falemos de coisas tristes mas sim desta época natalícia e das prendas possíveis.

Para as empresas, a melhor prenda possível é a retoma económica. Será que é possível pedirmos nós a elas que invistam nesta época, tentando reparar nos problemas internos da empresa, webizando aquilo que for possível e tentando dar uma imagem de dinâmica?

Para as entidades públicas, quer sejam as autarquias ou a Administração Pública Central, deve-se caminhar para uma melhor política de informação ao cidadão, para a criação de serviços Internet disponíveis e para a divulgação desta ferramenta de apoio cívico junto das populações mais desfavorecidas. Sobre esse tema, irei escrever logo em Janeiro sobre ele…

Para os cidadãos, é fundamental que exijam das empresas mais informação, é importante que saibam as grandes diferenças entre publicidade e realidade, entre a compatibilidade ou não das tecnologias mas mais do que isso, que saibam tirar partido das mesmas para melhorar a sua vida. Quer seja a Net, quer o computador ou a ferramenta electrónica de protecção, o futuro é de quem pensa nestes mecanismos como ajuda e não como o empecilho electrónico.

Que alguém, nas suas resoluções de Ano Novo tenha a sensatez de mostrar que o futuro é nosso, é digital e está aí a chegar!

sexta-feira, dezembro 20, 2002

Sensações

É uma sensação diferente estar do outro lado. Ver os artigos dos meus colegas, não estar nas conferências de imprensa, acompanhar apenas por alto as noticias saídas nas agências noticiosas, entrar naquele ritmo vivo de produção de uma peça jornalística...
Não sabia que ia custar tanto, mesmo tendo em conta que continuo na área da comunicação e a trabalhar sobre a temática predilecta e que abracei: a das tecnologias de informação e da sociedade do conhecimento.

E sobre essa temática penso continuar a dizer aquilo que penso, com a liberdade conquistada antes e tentando manter a imparcialidade e o rigor a que me acostumei como jornalista e que pretendo manter em todas as profissões e lugares por onde passarei.

Mesmo no Natal estou a olhar com receio para as vendas. O mercado está parado, os jornalistas queixam-se que não são marcadas conferências de imprensa e as empresas queixam-se da pouca apetência das pessoas para a aquisição de novos produtos. Mesmo sendo o Natal a época que é e mesmo com prendas tecnológicas a bom preço, o resultado não tem sido muito famoso. Mesmo nada.

Claro que o “clima” não ajuda. As pessoas necessitam de ter paliativos para mudar e muito embora haja um conjunto de tecnologias e projectos emergentes que são fundamentais e que estão a despontar um pouco por toda a Europa, ainda não têm o impacto, a presença e a força necessária para “alavancar” todo o mercado. É que não estamos a falar de novos sistemas operativos, não estamos a falar de nenhuma descoberta de “novas necessidades” e, acreditem, ainda estamos a viver a ressaca do “bug” do ano 2000.

Os novos modelos de negócio e a pura visão mercantilista da web também servem para semear a descrença entre os vários intervenientes do mercado, em especial para os mais antigos e que mantêm “aquele” espírito progressista e de uma nova visão para a sociedade. Mais do que meros modelos de negócio uns ao lado dos outros!

Por fim, a questão da rede. Eu quero continuar a forçar a tecla de referir que não podemos estar a vender sonhos. Falar de ADSL é referir casos gritantes de espaços, colados a cidades de dimensão que não têm possibilidades de ter banda larga tão cedo – o que é essencial para a instalação de um negócio.
Quando as cidades começarem a pensar em disputar mercados, tudo será diferente!!!

sexta-feira, dezembro 13, 2002

Obrigado!

Na vida tudo é relativo. E por isso, há situações em que somos obrigados a justificar com actos as afirmações que vamos fazendo. Pelo menos eu penso assim.
Estes devaneios filosóficos servem para justificar aquilo que vou escrever. Depois de dois anos no suplemento “Info&Net” da “A Capital”, irei mudar de actividade profissional, tentando mostrar que aquilo que dizia pode ser aplicado na prática.

Durante estes dois anos pretendi – sim, dado que por vezes não se consegue – incutir uma informação de qualidade compatível com a experiência e o reconhecimento que o “Info&Net” já tinha granjeado entre os seus leitores e fontes de informação.

Análise rigorosa, os melhores profissionais, notícias dadas a tempo foram algumas das facetas desse trabalho que serão mantidas sempre, numa perspectiva de qualidade que se pretende para este suplemento.

Ao mesmo tempo, foi meu objectivo dar a conhecer as várias facetas, não me deixar “cair” num jornalismo cinzento, de “press-release”.
Por fim, tentei que algumas das causas pelas quais me bati: o acesso à informação, uma mais rápida e eficaz divulgação das ferramentas de tecnologias de informação, telecomunicações e Internet e uma melhor comunicação fossem atingidas.

Relações conflituosas, é normal arranjar. Sempre com o intuito e a força da lógica que o meu papel é informar os leitores, lembrando-lhes que também é deles uma das maiores responsabilidades no estado democrático: manterem-se informados sobre as matérias que respeitam à sua cidadania e aos meios afectos pelo Estado à melhoria das actividades relacionadas com o cidadão.

Só que chega o momento em que, convidado para fazer parte de uma equipa responsável pela criação e execução das políticas ligadas à sociedade de informação, entendi por bem não poder responder a este desafio cívico, a esta nova condição profissional, a esta vontade interior de ser “agente de mudança”.

Agora, gerindo a comunicação da UMIC, unidade que responde pelas políticas de sociedade de informação e inovação no país tentarei que chegue uma informação correcta, em substância e em qualidade aos meios de comunicação. Ao serviço de um desígnio mais vasto: o de colocar Portugal como um dos países de referência no seio da Comunidade Europeia. Assim o desejo. Até breve!

sexta-feira, dezembro 06, 2002

Oportunidades…

A semana que passou era de presença obrigatória no Congresso das Comunicações. Estudos optimistas e técnicos pessimistas, gestores irritados e candidatos a políticos a afirmarem-se, este congresso das comunicações, com menos presenças e muito mais aberto nas temáticas demonstrou ser um interessante espaço de entretenimento. Se também o foi em termos de negócio, nesta época de crise, já há dúvidas...

A verdade é que circular por este espaço permite ter uma visão real do que se passa nas empresas portuguesas. Saber quais as que estão em crise (não aparecem), as que estão menos bem - são as que aparecem mas onde quase se nota os sapatos demasiado coçados - e as que se vão aguentando... A verdade é que a situação não está fácil para ninguém e mesmo empresas que foram consideradas "exemplos de sucesso", como a Altitude Software estão a passar dificuldades graves, algumas quase letais.

Em relação ao mercado de conteúdos, é fácil dizer que ele, pura e simplesmente, não existe ou está completamente moribundo. Na ânsia de receitas, perdeu-se de vista do que verdadeiramente são os dados de valor acrescentado para o consumidor, qual a lógica das subscrições ou a própria ética em relação às necessidades de financiamento. O panorama pode não ser animador mas temos a certeza que pior não pode ficar.

Mas um e-mail recebido dos Açores, tal como a minha própria queixa a sete quilómetros de Aveiro (e a igual distância de outras duas cidades…) faz-me lembrar como tudo aquilo que estamos a falar é muito superficial. Andamos todos a dizer que a banda larga é que é mas na Costa Nova ou Barra (espaços onde muita gente já tem a sua primeira casa) o cabo não tem interactividade e o ADSL não chega. Em Cedros, na ilha Faial, 20km (e no mínimo 20 minutos) da cidade de Horta, “claro” que também não há ADSL. Um leitor desta coluna perguntou e a resposta da PT foi simples: “não há previsão para as regiões remotas desta ou das outras ilhas”. O que falta, como o engenheiro electrotécnico que me escreve bem sabe, são só uns equipamentos electrónicos de conversão para instalação nas centrais telefónicas das freguesias, já que os cabos existentes são aptos para ADSL.

Pois… dá que pensar, não dá? E é a este assunto que irei voltar numa próxima crónica.

sábado, novembro 30, 2002

Ao trabalho

Numa semana em que todos os assuntos de interesse já foram antecipados - agradecemos, nós, jornalistas, a António Carrapatoso por finalmente alguém dar a cara no negócio das três operadoras que até agora eram sempre "fonts ligadas ao processo" - tento antecipar a época natalícia.

E se é somente nessa altura que se dão as prendas - e as "directas" sobre quem se portou mal - acho que estamos na altura de pensar um pouco no país e nas empresas portuguesas ligadas ás tecnologias.

Quer sejam especialistas em sites, quer sejam integradores ou consultores, quer apostem na inovação ou nas telecomunicações, as empresas portuguesas têm uma tarefa fundamental pela frente: modernizar o país. Pedir-lhes que tentem "vender" os seus produtos de uma forma digna e que façam ver aos gestores aquilo que é necessário ao negócio é importante. é que está nas vossas mãos lembrar que a "Internet" ainda é importante para a reorganização das empresas e que a sua correcta utilização, uma utilização realista ainda é factor para a economia de custos, reorganização de processos e melhoria das capacidades empresariais.

Não, não estamos a falar de realidades ultrapassadas mas sim da utilização corrente de um conjunto de facilidades que, acreditem, ainda não são utilizadas na maioria das empresas...

Não, não estou somente a falar como um fanático de Internet mas sim de uma correcta mentalização dos empresários portugueses para o recurso a um conjunto de ferramentas – sejas elas de apoio à gestão, à produção, à venda ou em todos os níveis – baseadas em soluções tecnológicas standards que lhes possibilitem ter vantagens competitivas.

Conhecer melhor o seu negócio, executá-lo de uma maneira sistemática e correcta ou saber como agir, na posse de uma determinada informação é fundamental… Quer saber como?

Bem, deixo-lhe o exemplo mais corriqueiro possível. Imagine um comércio tradicional em que o proprietário é também o único empregado. Se ele começasse a tomar notas, em papel e lápis (ou no computador) sobre a frequência com que os seus clientes entram na loja e compram (ou não), se calhar poderia optar por um horário mais flexível e mais adequado ao seu bairro ou área de influência. Simples?

domingo, novembro 24, 2002

Policial

Para um potencial escritor de livros policiais ou de espionagem tenho uma dica para lhes dar. A história tem todos os ingredientes necessários a um grande romance. Ora vejamos. Tem mistério, suspense, mudanças drásticas na vida pessoal e profissional dos intervenientes. Envolve, igualmente enormes montantes de dinheiro , negócios complicados, processos judiciais e junta no mesmo dossier política, economia e decisões estratégicas. Para quem esteve fora de Portugal nos últimos meses, claro que me refiro ao dossier Oniway.

Segundo as fontes bem informadas, quando estiverem a ler isto, já tudo estará resolvido. Já a EDP vendeu os activos da empresa operadora móvel de terceira geração aos outros três operadores por uma quantia irrisória, já o BCP fez contas à vida e já houve "champagne" na Optimus, Vodafone e mesmo na TMN. Com efeito, é interessante ter reparado no esforço significativo que estas operadoras fizeram para que a Oniway não entrasse no mercado. Desde processos legais, não aceitação de determinações do regulador, negociações ou contratos pouco ortodoxos, entre outras movimentações... Mas um dos accionistas da EDP, o Estado, também ajudou, não vendo com bons olhos a presença da empresa no sector das telecomunicações...

E como isso ajuda a lembrar à administração quem é que decide o quê... Claro que há sempre o outro lado, a outra face da moeda. Ninguém me conseguiu convencer que a entrada do quarto operador era má para os consumidores portugueses de telecomunicações. Ninguém consegue explicar a perda de 400 postos de trabalho, esfumados de uma semana para a outra.... Ah, e não me esqueço de referir que, se esta decisão for mesmo para a frente, o "mealheiro" da sociedade de informação sofre um rombo, devido a perder um dos contribuintes obrigatórios para os projectos de promoção da sociedade de informação, algo tão referido na altura da licença...

Lições a tirar desta história toda: quando fores para os negócios, prepara-te lendo o livro “Arte da Guerra” de Tzu e pensa no armamento que necessitas. Ao contrário da anterior fase de domínio pelo terror protagonizado pelas grandes potências – eu tenho a bomba e por isso não me atacas – o actual mundo dos negócios é baseado em informações estratégicas (leia-se espionagem) e sistemas de ataque modernos. Uma espécie de terrorismo global onde o uso de anthrax ou outras armas biológicas para infectar a opinião pública é possível, e usado com estratégia!

sexta-feira, novembro 15, 2002

Mentalidades

Tenho observado, com desgosto e/ou alguma pena que ainda há pessoas que não se preocupam minimamente com computadores, tecnologias e que exprimem publicamente esse desprezo. Considero ainda que há muitas famílias para quem as novas tecnologias podem passar ao lado da educação do seu filho. Esquecem-se, todavia, que estão a cerceá-lo de muitas vantagens, caso ele, por vontade própria, não avance os seus conhecimentos nesta área.

Ainda mais preocupante é quando pessoas que precisam de utilizar o computador de forma intensiva na sua área profissional remetem para os “técnicos”, aquelas personagens de ficção que lhes resolvem os problemas, todas as suas necessidades, não retendo os conhecimentos para uma futura resolução. E ainda para quem vai com ideias pré-concebidas para um emprego…

Uma resposta madura e realista para quem se candidata a um trabalho, que talvez não seja o dos seus sonhos, seria: "Eu tenho mil planos, mas não quero escolher agora e gostaria de experimentar este trabalho com vocês. Quem sabe não gosto?"

Cabeça aberta e disposição são duas qualidades apreciadas por qualquer empregador e devem ser apanágio do potencial empregado, que também não deve “falhar” na hora de ir aprendendo mais sobre o assunto.

Hoje, quando olho para minha vida profissional, constato que tudo que conquistei foi o resultado de três factores: as oportunidades que criei ou surgiram, a consciência do que significavam e a noção de estar bem preparado para elas ou ter a energia para o conseguir.

A vida dá voltas e não deve se fechar portas. Depois que se entra no mercado, aliás, é muito mais fácil mudar de rumo. E acreditem: as nossas certezas aos vinte anos são verdadeiras “tretas”… E a vantagem dos conhecimentos tecnológicos é que nos permitem aumentar as escolhas!

Claro que nem tudo depende do conhecimento que se tem da tecnologia mas a atitude pró-activa é sempre bem-vinda mesmo em ambientes hostis. E acredite que esses comportamentos não podem continuar por muito mais tempo pois o desenvolvimento tecnológico e o contacto de cada entidade com o exterior obriga a mudanças nestas áreas.