terça-feira, fevereiro 04, 2003

DVD

A estrela do Natal. A estrela electrónica de 2002. Um dos electrodomésticos que conseguiu ultrapassar o estatuto de “gadget” para se guindar ao de “standard” de qualquer sala de estar de casa média portuguesa. Para isso contribuiu o baixar drástico de preços – a lógica de uma máquina com recursos q.b. para atingir vendas de massas, as ofertas e o interesse num coleccionismo digital. É que vale muito mais a pena adquirir uma colecção com tecnologia digital, que ainda se manterá durante algum tempo do que os vídeos e os seus problemas de armazenamento.

Adquirido o leitor, passa toda a questão para a aquisição de filmes, musicais e todo o tipo de produtos vendidos em DVD. Aliás, se antes existia alguma preocupação sobre a quantidade de formatos que certos modelos conseguiam ler – MP3, VCD, CD-R ou CD-RW – agora a preocupação é apenas uma: para o cinéfilo apressado e amante da língua inglesa, a aquisição de um leitor “artilhado” com leitura multizonas é fundamental. Para os outros, basta a zona dois, a da Europa, para ver as últimas novidades, pensar no que adquirir em Portugal ou no estrangeiro, entre outras coisas.

Se a língua portuguesa é um óbice, então tenha muita atenção aos sites que visita. Na Amazon (em http://www.amazon.co.uk dado que a versão americana não é muito interessante, em termos de preço, envio e possibilidade da alfândega nos aborrecer) as informações técnicas são diminutas, tendo o utilizador que recorrer à melhor base de dados que existe para cinéfilos e amadores de filmes: IMDB – Internet Movie Database – e que dá informações, nomeadamente, da versão inglesa do filme. Claro que há um grande factor positivo: o sistema de comentários, sinopses e informações da Amazon. No IMDB, o que é completamente imparável é a informação: fundamental e divertida, um espaço óptimo para uma pessoa perder horas!

Noutro local que uso, BlackStar as informações são muito mais interessantes, em especial no que se refere aos aspectos técnicos da versão que pretendemos adquirir. Outra grande vantagem é as “pre-orders”, que permitem antecipar a aquisição de DVD de filmes que só irão sair muito mais tarde (o que possibilita que logo que se veja um filme se pode adquirir a possibilidade de o comprar...). É uma questão de procura!

jmo@esoterica.pt

terça-feira, janeiro 28, 2003

Inovação e Tecnologia

Sei que este não é um tema que “venda”. A área das novas tecnologias tem muito mais atractivos e a inovação é aquela matéria pouco “palpável” que as pessoas têm dificuldade em explicar e ainda menos em perceber.

No âmbito da União Europeia existem programas específicos nesta área que pretendem dar um empurrão decisivo para a consolidação do desempenho europeu em matérias tão diversas como a nanotecnologia, a energia atómica, ciências da vida, entre outras. Claro que é privilegiado quem aposta na investigação e quem já tem redes multi-europeias já criadas.

Conhecido por “6º PQ” ou sexto programa quadro de ciência e tecnologia, este constitui o principal instrumento de financiamento da investigação na Europa. O PQ abrange um período de cinco anos, verificando-se uma sobreposição entre o último ano de um PQ e o primeiro ano do PQ seguinte. O 6º PQ corresponde ao período 2002-2006.

O 6º PQ tem como objectivo contribuir para a criação de um verdadeiro “Espaço Europeu da Investigação” (EEI). O EEI é uma visão para o futuro da investigação na Europa: um mercado interno da ciência e da tecnologia. Incentiva a excelência científica, a competitividade e a inovação através da promoção de uma melhor cooperação e coordenação entre os intervenientes relevantes a todos os níveis. O crescimento económico depende cada vez mais da investigação e muitos dos desafios presentes e futuros para a indústria e a sociedade já não podem ser resolvidos apenas a nível nacional.

A Comissão Europeia é responsável pela execução do PQ, que tem um orçamento de 17,5 mil milhões de euros. Este montante representa perto de 4% do orçamento global da UE (2001) e 5,4% de todas as despesas públicas (não militares) em investigação na Europa. Sete por cento deste montante (1 230 milhões de euros) serão gastos em investigação nuclear no âmbito do programa-quadro Euratom.

Este ano, ou melhor, neste próximo programa-quadro serão também apoiadas as actividades que criem Redes de excelência, que tem por objectivo o reforço e desenvolvimento da excelência científica e tecnológica da Comunidade, integrando a nível europeu as capacidades de investigação existentes a nível nacional ou regional. Visa também incentivar a cooperação entre as universidades, centros de investigação, empresas (incluindo as PME) e organizações científicas e tecnológicas, orientando as actividades para objectivos de longo-prazo e pluridisciplinares. Os projectos integrados são também outra face visível desta nova forma de pensar. Portugal não pode desperdiçar estes dinheiros!

quinta-feira, janeiro 23, 2003

Banda Larga

Antes de começar a tratar de pormenores mais básicos, gostava de referir um ponto fundamental para o fruir de uma Internet interessante, que dê uma experiência útil ao consumidor e que até o faz feliz na carteira, porque sabe o que paga antecipadamente: Banda Larga.

Creio que a questão tecnológica fundamental para o crescimento exponencial da Sociedade da Informação e do Conhecimento é a "banda larga para todos", a preços comportáveis.

Isso passa por desenvolver uma política que permita o crescimento do acesso com largura de banda, com concorrência entre a rede fixa (cobre com tecnologias xDSL) e o cabo, por um lado, e o estímulo ao surgimento de redes alternativas ou complementares - em formato “wireless”, por exemplo. Temos de tirar partido das várias redes existentes, estimular a inovação e a criatividade neste domínio, dar força a quem queira investir nestas infra-estruturas, nevrálgicas para a produção, acesso e difusão de Conhecimento.

A banda larga é o verdadeiro motor do “e-learning”, dos Conteúdos multimédia, do comércio electrónico, da tele-medicina, das indústrias de tecnologia avançada (automóvel, moldes, aeronáutica, etc.). Sem banda larga, não podem os cidadãos e as empresas tirar todo o partido das potencialidades de terem acesso ao conhecimento, que é hoje a principal fonte de vantagem competitiva.

A capacidade de acesso à Internet de banda larga trás consigo a transformação da forma como nós vivemos, aprendemos e trabalhamos. A verdadeira banda larga significa muito mais que uma Internet rápida. Com ligações de alta velocidade, “always on”, com bidireccionalidade de voz, dados gráficos e vídeo, a verdadeira banda larga é chave para a próxima geração de serviços de comunicação.
A generalização da banda larga aumentará a eficiência e a produtividade no trabalho e em casa e abrirá um rol de novas oportunidades de negócio. Os benefícios para a qualidade de vida são difíceis de mensurar, dado o seu profundo impacto.
E até ter banda larga em casa é relativamente fácil... o problema é a PT colocar a banda em certos locais...

quinta-feira, janeiro 16, 2003

Campus Virtuais

O Governo vai lançar para a semana o projecto Campus Virtuais, que vai permitir a criação de «campus» virtuais nas universidades portuguesas e institutos politécnicos. A iniciativa, que passa pela instalação de redes de comunicação de banda larga sem fios nos estabelecimentos do ensino superior públicos e privados, apoio à aquisição de computadores equipados com essa tecnologia por professores e alunos e dotar as universidades de mais serviços baseados na Internet, vai ter um impacto que julgo muito importante.

Quero frisar que sou parte interessada, dado que trabalho para a entidade que vai lançar este programa: a UMIC. No entanto, acho que o assunto merece estas linhas e a vossa atenção. O objectivo é fomentar a criação de serviços universitários online que proporcionem a produção e partilha de conteúdos académicos entre estudantes e professores do ensino superior
Esta teia académica pretende declarar “guerra” aos antigos modelos de preparação de aulas. Serviços e disciplinas da universidade terão tendência para se deslocarem para meios informáticos. Serão os alunos que obrigarão os professores a colocar os seus materiais de apoio às disciplinas na Web. Desde links a livros em pdf, desde slides de apoio em powerpoint às notas, tudo poderá estar lá colocado.

Esta pretendida revolução de métodos de trabalho que o mundo universitário português vai viver nos próximos anos vai beneficiar não só alunos e professores como também os serviços administrativos dos estabelecimentos de ensino superior. «Vai ser possível optimizar recursos e eficiência, já que os serviços podem funcionar 24 horas por dia e em interacção com o Ministério da Ciência e do Ensino Superior», exemplificou Diogo Vasconcelos em entrevista ao Expresso.

Os professores vão poder beneficiar significativamente não só porque passam a ter formação em tecnologias de informação, para evitar o «gap» geracional com estudantes (ex: cursos que habilitem os professores a leccionar com apoio de aplicações do tipo «power point»), como também porque terão acesso aos serviços da faculdade sem interrupções, podendo efectuar operações desde a requisição de documentos até à colocação de notas. Ou ainda colocar e buscar sebentas «online» («e-books»), comprar livros online com desconto ou ainda apostar no «e-learning».

Sei, por algumas críticas que tenho recebido, que preferem artigos onde escrevo mais sobre o dia a dia de quem usa as tecnologias mais do que as visões críticas ou imaginativas de quem pensa num futuro melhor com o uso. Desta forma, irei escrever mais artigos relacionados com uma lógica de “consultório” ou de sugestões de uso das tecnologias e por isso solicito-vos que me informem sobre que temas gostariam de ver referidos, para que as minhas crónicas sejam, cada vez mais, aquilo que os leitores preferem…