quinta-feira, novembro 07, 2002

Desilusão

A pergunta "da moda" na semana passada, aquela que todos os jornalistas, elementos na área da comunicação e mesmo pessoas ligadas às empresas faziam umas às outras era muito parecida: "então, a Inforpor vale a pena?"

Queriam desta forma questionar se a Inforpor e as outras feiras que se realizaram na FIL durante o mês periodo e dedicadas às novas tecnologias tinham aquele "je ne sais quoi" que as faz serem imprescindíveis. Bem, insatisfeito como sou, só posso dizer duas palavras: "Sim" e "Não".

Sim, porque a feira, e repito-me , é a melhor estrutura e a mais conceituada no mercado português e por isso é incontornável. Para além disso, o formato escolhido e as datas também me parecem adequadas.

Não, porque as empresas continuam a não estar presentes por si, não apostam na feira - mas querem que se fale neles - e é necessário dar um impacto internacional à mesma.

A verdade é que não aceito que me atirem os argumentos de dimensão. Há outras feiras em Portugal (como a dos automóveis) onde as marcas internacionais apostam, ou há produtos cujo marketing é preparado em exclusivo para a data... E isso ainda falta às empresas e à estrutura de uma feira em Portugal.

A outra sugestão é, digamos, é aplicar o princípio da concentração. Juntarem-se os responsáveis e fazer uma única feira...
Num trabalho que estou a realizar, dou-me conta que o futuro próximo dos telemóveis é já em Janeiro. Ainda não chegamos ao UMTS mas a tendência já é outra, completamente diferente de há seis meses atrás. Neste momento, as empresas apostam em produtos com MMS (todos ou quase), com tecnologia GPRS, ecrãs a cores e os de gama média/alta com funcionalidades de câmara fotográfica. São operadores e fabricantes a pensar no aumento das receitas através da transmissão de dados.

Outro conceito muito interessante é aplicado, a partir desta semana, pela Vodafone. O “Live” não é mais do que a integração entre os menus do telemóvel e os serviços oferecidos por Wap/GPRS do portal da Vodafone/Vizzavi. Parece uma ideia simples mas é, acima de tudo, extremamente eficaz. Facilita a vida a quem quer utilizar os mecanismos avançados, pois vem tudo já configurado e, é claro, aumenta as receitas de dados. A facilidade de utilização é outra das grandes vantagens! Mas sobre este produto falarei noutra semana.

sexta-feira, outubro 25, 2002

Requiem por uma empresa

Se as mais recentes noticias estiverem correctas, estaremos a poucos dias de um abortivo funeral. Um nado-morto, com mais de 400 pessoas no seu seio irá falecer vitimada pelos anseios dos seus accionistas de parecerem "meninos bonitos" na Bolsa. A lógica do negócio que se consolida lentamente está a ser deturpada por uma regra que serviu para tudo, até para a GRANDE CRISE do sector na América: a vontade de mostrar contas bonitas aos detentores de acções e aos analistas faz com que os gestores pensem a curto prazo e não a longo prazo. E não estou a falar dos gestores da Oniway mas sim aos da EDP. Lembrem-se que na altura em que foi lançado o GSM os analistas também diziam algumas barbaridades sobre o potencial da coisa...

Mas se entendem que é melhor afastarem-se (e o Ministro da Economia até quis ajudar) lembrem-se que estão a perder o comboio do futuro e a cingirem-se ao mercado de rede fixa... E mais não dá vontade de dizer. Apenas uma palavra para os funcionários, que estiveram a criar algo de bonito e que verão as portas da rua abrirem-se e os consumidores.

Esses, e mais uma vez me repito, ninguém os defende. Algum dos analistas que já se debruçou sobre a perspectiva de consolidação do sector móvel pensou que se em Portugal ficarmos com apenas duas redes - e mesmo tal como estamos, quem fica a perder é o consumidor?

Uma empresa entra no mercado porque acha que é uma oportunidade. Os concorrentes deveriam aceitar essa entrada e lutar com as armas minimamente éticas. Não me digam que quem quer a Oniway fora do mercado defende os consumidorees desse sector, porque essa eu não compro...

Mas nem só de más noticias está o mercado. Em relação à sociedade de informação, louve-se o Conselho de Ministros do passado Sábado que finalmente nos proporcionou uma alegria sobre a coordenação existente para a área. Finalmente resolvida a questão central do comando, ficaremos curiosos sobre a vitalidade de Diogo Vasconcelos, o indigitado presidente da unidade de missão para resistir a potenciais cortes orçamentais e fazer com que o Governo esteja online, tem mentalidade de online e avance decididamente nesta área. A Democracia electrónica avança em pequenos passos.

sexta-feira, outubro 18, 2002

Publicidades

Há um conjunto de perguntas óbvias que qualquer colunista deverá fazer ao seu público, ainda para mais se pretende escrever sobre o sentimento das pessoas em relação à economia. Será que a crise está a afectar os bolsos da classe média ou é apenas um fantasma?
As perguntas são várias. Qual é o seu sentimento? Estamos em crise? Estamos bem? Acha que as expectativas é que formam a sua opinião ou baseia-se em factos concretos? O estudo científico da vontade dos cidadãos daria, sem dúvida, matéria bastante para os “marketeiros” das nossas empresas. É que é pela base - saber a razão pela qual o “consumidor” adquire ou não o “meu” produto - que se poderá direccionar as campanhas, as promoções, e outras ferramentas com que se tenta o objectivo último de cada empresa: vender mais.

Mas será que tudo é possível de ser medido? Será que os factores instintivos - a publicidade é amarela, gosto da marca, é a que escolhe a minha namorada, etc - não desvirtuam a capacidade em analisar cientificamente as vendas?

Refiro-me a isto por uma mera opinião pessoal. Eu não tentaria denegrir o “produto” para vender a minha solução específica. Acho que essa estratégia poderia levar a efeitos perversos: talvez haja menos pessoas a ter uma opinião positiva em relação ao produto, talvez acontecesse que no processo de decisão as pessoas se lembrassem das críticas feitas ao mesmo e ainda, o que seria grave, as afirmações produzidas fizessem com que certas pessoas a quem já o vendi se lembrassem de me questionar acerca da qualidade daquilo que lhes vendi.

Qualquer semelhança com publicidades recentes na área é pura coincidência... É claro que me estou a referir à publicidade ao produto ADSL feita pela NovisNet que lembre que 70 por cento da pornografia é vista em horário laboral. E também lembram aos gestores que as pessoas sérias que estão a trabalhar podem estar a consulta a sua conta bancária, a ir às compras ou a jogar num qualquer casino.

Será que este tipo de publicidade leva o gestor a decidir-se pelo produto da empresa ou, antes a decidir-se por nenhum produto? Ou a comentar numa qualquer reunião que a Internet é aquela coisa “que só faz perder tempo” e ser “pouco produtivo”?

Acho que o “briefing” desta publicidade sofreu de “humorite aguda” e destruiu aquilo que, de bom, alguns dos outros promocionais da marca tinham conseguido para a mudança de mentalidade.

sexta-feira, outubro 11, 2002

A novela

Uma das grandes vantages de ser colunista de um órgão de comunicação social especializado prende-se com o evitar de escrever sobre aqueles acontecimentos curiosos, tipo novelas, que nunca mais terminam e que enredam cada vez mais os seus intervinientes, de cada vez que os assuntos são comentados. Safei-me, neste Verão, a comentar o caso Portas, o BB Famosos, a novela Jardel entre outros assuntos que passaram as "marcas" em termos de acontecimentos, com cenas caricatas de parte a parte.

Bem, isso pensava eu! Esqueci-me de um assunto-novela que dá pelo nome de "Interligação". A trama é interessante para engenheiros e advogados: coloca frente a frente conceitos tão díspares como operadores virtuais, redes UMTS, actos administrativos, entidades reguladoras que pouco regulam e empresas que juram estar a defender os consumidores.

Claro que os actores não são dos mais conhecidos e têm nomes esquisitos, cheios de siglas: ANACOM, Optimus, Vodafone, Oniway e, num papel secundário, a TMN. Pelo meio, alguns actores já sairam, outros tiveram que alterar a sua postura, e o imbróglio continua.

Os consumidores não tidos nem achados. E arriscamo-nos, se a novela continua, a manter uma política de preços móveis altos, sem concorrência à altura... Esperamos para ver...

sexta-feira, outubro 04, 2002

E-democracia

A semana passada foi fértil em eventos relacionados com a democracia electrónica, tendo culminado com algo de verdadeiramente sublime: as eleições brasileiras. Estou a escrever sem conhecer o resultado mas algo fica desde já como a maior vitória dessas eleições: todos votaram – bem, a votação é mesmo obrigatória – com uma urna electrónica!

Cada vez mais me convenço, por muitas conferências em tom pessimista que assista, que a e-democracia será uma inevitabilidade e que mudará a forma como se faz política. O perigo é que só mude uma das faces da "estória" e não todo o global da questão.
Quem me conhece sabe que defendo a apresentação da informação, quando oficial, de forma TOTAL. Não aceito e não acredito muito nas "falácias" de certos iluminados que referem, amiúde, nos seus discursos, que há certos documentos que não é necessário as pessoas ficarem a saber.

Um país que se quer moderno necessita destes tipo de ferramentas, deste tipo de actuação e os meios que a tecnologia lhe pode colocar ao dispor para isso são muito importantes. No entanto, há alguns entraves, especialmente a forma de financiamento destes modelos que é necessário rever e analisar de forma a obter uma verdadeira e-democracia sadia…

Não, não pode ser verdade. Sou contra a filosofia dos comunicados de imprensa que escondem a verdade da informação. Sou contra a não divulgação das matérias no seu estado bruto. E isso faz com que seja contra, da mesma forma, a forma como os meus colegas que fazem jornalismo online. Raramente tenho visto o aproveitamento das capacidades do online para dar aos cidadãos TODA a informação. E não só o escrutínio de alguém do qual não conheço as capacidades para decidir por mim.

Para a e-democracia ser uma realidade, é preciso que haja uma revolução de mentalidades, de aspectos culturais e da retirada do medo - sim, há pessoas que ainda consideram que não convém "refilar" porque o seu subsídio cai... ou poderão não ser seleccionados para o emprego da sua vida. Mas para a e-democracia ser uma realidade é necessário, como o Steven Clift confirmou, uma lógica de pequenos projectos, um amor à camisola enorme e uma crença muito grande nos princípios básicos da democracia, de acreditar que há pessoas que podem ter acesso a tudo e saber decidir com base em documentos globais.

sábado, setembro 28, 2002

Mercado estreito

Portugal é um país pequeno. Portugal aposta na inovação e consegue ter mercados competitivos. Portugal tem dado exemplos brilhantes de projectos que não ficam obscurecidos com o facto, óbvio, de sermos somente 10 milhões de habitantes e logo, de o mercado ser pequeno. No entanto, cada noticia que surge na lógica da concentração me asusta sempre, eu que vivo num Mercado como o do jornalismo em que a "banda" está estreita e que nem parece interessar aos "grandes" do sector. No entanto, não é por essa razão que me queixo.

A verdadeira razão é que os monopólios servem apenas para uma coisa: banda estreita de informação. E a tendência para a concentração no sector das TMT (tecnologias, media e telecomunicações) é por demais evidente e teve mais uma consequência a semana passada, com a compra do ISP Vizzavi pelo IOL.
Com este acordo, afunila-se cada vez mais a informação na Net e, ao mesmotempo, como todos os grupos em Portugal lêem pela mesma cartilha, acredito que daqui a uns meses estarei confinado à informação do meu ISP ou então do Diário Digital. Mas, curiosamente, e esta é a minha opinião pessoal como jornalista, continuo a achar a informação que recebo nestes sites "exclusivos" e a pagantes muito "Lusa".

A verdade é que eu gosto da nossa agência noticiosa mas estou certo que ninguém gostaria de comprar para ler todas as notcias que lê noutro órgão. A diferenciação é trave-mestra para o interesse em cada produto de comunicação social.. Os jornais são considerados de referência quando têm destaques, investigações próprias, não quando dão notícias em reciclagem... Quero apenas deixar um assunto para reflexão, para vos lembrar que ninguém usa a Net como devia. No decorrer deste caso "Moderna" ainda não vi nenhum documento para "download"... Esqueceram-se que a Internet serve para divulgar tudo, de modo a que o cidadão tire as suas próprias interpretações? Essa característica de análise é fundamental, a meu ver e permite perceber qual o objective do projecto que cada empresa tem entre mãos…

Obter e apresentar a informação e os dados para análise de uma forma eficiente e agradável à vista do leitor é importante. Manter a ética e a qualidade de leitura é muito importante. Manter a independência financeira e de ideias é fundamental. Este conjunto de matérias são importante demais para andar a brincar!

sábado, setembro 21, 2002

Cada um com…

Mesmo nesta fase de ciberpessimismo ouve-se falar, muito, em “estar” na Web. Mas há, ao mesmo tempo, sabe-se que dois em cada três sites na Internet não cumprem os seus objectivos… Sabem porquê? Porque a equipa de gestão estratégica não trabalha em conjunto com a equipa responsável pelo projecto Internet. Ou então o projecto Internet está entregue a alguém do marketing ou a alguém das vendas… Não, este tipo de projecto só vinga se tiver a equipa de gestão a comandá-lo, num conjunto multidisciplinar!

A primeira decisão que tem de tomar, sem falta, é: eu preciso estar na Internet? Sim, nem todo o produto se adequa à venda online. Por isso, terá que decidir se a sua presença na rede é um projecto de marketing (com espaço para informações do produto, da cultura da empresa e para descontos para clientes) ou então se o seu projecto contempla, para além disso, um serviço de vendas pela Internet.

Independentemente disso, lembre-se das regras de um estudo da Computer Science, do já datadíssimo ano de 1999, mas curiosamente actual e que apresenta os principais problemas que impedem o site de ter sucesso: falta de motivo, de organização, informações desactualizadas, ignorância dos paradigmas Web, excesso de propaganda institucional, informação enfadonha, falta de interactividade e falta de relacionamento.

Lembrem-se que a Internet é um “meio” perfeito mas antes de lá entrar necessita de saber o porquê… É que um dos grandes problemas de todos nós é o de conseguir entender todos os paradigmas quebrados pela Internet e adaptá-los ao futuro das empresas e instituições, uma arte em reformar a casa, enquanto ela anda…

No entanto, não esqueça o outro lado da história: não estar na Internet não significa necessariamente que a sua entidade/empresa não o esteja. Há necessidades de compras/informação/resolução de problemas e relacionamento com os clientes e fornecedores que serão resolvidos por este meio, para além de poder poupar nas comunicações. A sua presença na Internet deve ser entendida, assim, como fundamental: precisa saber, é claro, porque motivos, com que intenções e objectivos e com que dinheiro…

quarta-feira, setembro 11, 2002

11 de Setembro

Esta semana só podia escrever sobre o 11 de Setembro. Era inevitável. Porque nenhum outro assunto teve tanto impacto no modo de olhar as liberdades adquiridas, também na Internet…

Um estudo dos Repórteres sem Fronteiras, recentemente publicado e disponível no site da organização, em http://www.rsf.org confirma isso mesmo. Mas os jornalistas e outros apaixonados pela sociedade de informação também poderiam verificar isso nos relatórios, notícias e legislação, especialmente nesta última, publicados ou alterados neste último ano. Países com tradições de democracia parecem estar loucos e pensar que a Internet é um meio eficaz para todo o tipo de crime. É, sem dúvida, mas não é este tipo de regras que o irão encontrar. Nem com este nem com nenhum…

O que é certo é que grande parte das instituições estão a colaborar. Imaginem a seguinte situação, que não se passa no nosso país: a Polícia Judiciária pedir aos correios que antes de distribuírem as suas cartas pessoais dos remetentes para os destinatários, fizessem uma fotocópia e guardassem. Claro, e depois deixassem os polícias verificarem o conteúdo.

Surreal? Claro que com meios electrónicos, era bem mais fácil. Só que se acham que isto é mentira, desenganem-se. Isto acontece. Um pouco por todo o mundo. E para já, achamos que não acontece em Portugal.

A verdade é que, como meio, a Internet pode potenciar o trabalho em comum de uma equipa situada em países diferentes. Aliás, é um dos exemplos que eu mais gosto de utilizar: uma equipa que tenha fortes conhecimentos do seu objectivo de trabalho e que tenha capacidades de se concentrar na sua tarefa específica num horário pré-determinado tira garantias de qualidade fortíssimas da Internet. Pois. Já viram que a definição serve, exactamente, para tudo, mesmo TUDO, quer seja uma empresa de arquitectos ou os componentes de um comando terrorista?

No entanto, a Internet, como meio, também serviu para muito mais. Quem, como eu, acompanhou os acontecimentos de 2001 com um olho na televisão e outro no monitor do computador, a Internet também serviu para ligar a solidariedade mundial, a criação de testemunhos vivos e de grupos onde se discutiam as últimas informações ao mesmo tempo que se sabiam os mortos oficiais, se enviavam mensagens de condolências ou se sabia se determinada pessoa estava ou não no local.
Foram momentos dramáticos, inultrapassáveis e que marcaram a Internet como um espaço de ajuda, de convivência, de interesse… E é isso que importa sublinhar!

jmo@esoterica.pt

sexta-feira, agosto 30, 2002

Fim de férias

Com uma semana de atraso, o rumor confirmou-se. A ANACOM apresentou aos operadores interessados, isto é, todos, o seu projecto de decisão sobre a questão da interligação. Mais uma vez, para não parecer mal, este projecto de decisão dá razão à Oniway mas ainda vamos ter que esperar mais alguns dias para que esta notícia se transforme em realidade concreta. pois os argumentos dos operadores poderão alterar a ideia de Álvaro Dâmaso e seus pares.

O mais surreal desta história é que a ANACOM não fez eco desta decisão mas altos responsáveis seus tiveram o cuidado de informar jornalistas "amigos". Mesmo antes que os operadores... Sem mais comentários. Outro assunto curioso é que o principal operador português, a TMN, dá-se ao luxo de garantir, num documento enviado ao regulador, que tem dificuldades em preparar a terceira geração… Assim estamos de tácticas para se evitar o aparecimento de mais um operador no mercado…

Se num caso estamos perto de uma decisão que condiciona, de alguma forma, a questão da concentração, as notícias da última semana deram-nos outro motivo de conversa: a Vivendi quer alienar a Vizzavi à sua parceira de joint-venture, a Vodafone. Se em relação a Portugal ainda não há negociações oficiais, esta já é a realidade internacional, transformando-se a Vizzavi no "verdadeiro" braço da Vodafone para a Internet, provavelmente com outra marca ou mesmo com o nome da casa-mãe, que já detinha a gestão da empresa. Alteração de políticas ou não, isso já é outra história…

Se de crises está o mundo cheio, há uma notícia, verdadeiramente interessante, difundida graças à Lusa. O WWF fez um estudo, interessante, sobre as potencialidade da Internet para o desenvolvimento sustentável. Era interessante que os profetas da desgraça lessem o documento, que está disponível no site da World Wildlife Fund, em ou www.panda.org e reflectissem naquilo que é um planeamento sério e um pensamento coerente sobre as potencialidades das novas tecnologias para a cidadania e desenvolvimento sustentável.

Nas próximas semanas este editorial vai ter uma antevisão de um futuro "online". Gostava que comentassem a sua pertinência e as tendências que dita. Para discutirmos em conjunto o futuro...

sábado, julho 27, 2002

Imaginário

Dou-me conta, ao colocar o "texto em página", que a diferença dos títulos desta semana para o da semana passada, é muito pequena. Um recurso estilístico para chegar a conclusões radicalmente diferentes... e curiosamente unidas pela necessário "imaginação" a que temos que recorrer para aumentar o nosso "imaginário" virtual.

Esta semana tive a oportunidade de dar uma volta em DVD – tecnologia digital, é claro, por alguns filmes cujo argumento se desenrola, de várias formas, no mundo digital ou se usa e abusa de efeitos especiais. E já nem falo dos filmes de ficção científica, cuja tecnicidade vai ao ponto de se imaginar a comunicação publicitária do futuro - como vai ser feito em "Minority Report".

Mas voltando à temática, dei uma vista de olhos por Final Fantasy (um filme digital de animação a tentar imitar corpos reais) como contraponto ao "Resident Evil" de que vos falamos no Destaque. Se os dois começam numa lógica de jogo, o seu conteúdo, forma de apresentação e estrutura são completamente diferentes.

Diferentes, também, são alguns outros filmes míticos desta temática. Desde o velhinho "The Net" com uma Sandra Bullock programadora até "Hackers", passando por exemplos recentes - mas com destinos cinematográficos diferentes: enquanto que "Conspiracao.com", o nome português de Antitrust chegou às salas portuguesas, a luta entre o conhecido Kevin Mitnick e Tsutumu Shimomura "Takedown" ficou pelo mercado de aluguer e compra directa de DVD. Em formato digital, pois então.

Mas este repositório de filme não fica completo sem aquele que, para mim, mais simboliza um modo de vida digital, mais conseguirá convencer as pessoas que a Internet não é um "bicho-papão" mas sim de simples, com pessoas dentro e não somente máquinas. Sim, estou a referir-me ao semi-lamechas mas verdadeiro "You've got mail", o blockbuster com Meg Ryan e Tom Hanks que, tenho a certeza, deve ter conquistado muitos "internautas". Enquanto aos outros já vão os habituais fãs da Net...

O mundo do cinema consegue encantar crianças e adultos, já diria Steven Spielberg. Eu continuo a pensar como ele, como uma criança grande em busca de um sonho. Neste caso um sonho digital, que me sirva e que me ajude. É que as máquinas ainda são bichos complicados… E é nossa tarefa melhorá-los…

De férias não irei, estejam descansados. O meu e-mail continua aberto para as vossas ideias, sugestões, casos de sucesso ou de fracasso nas novas tecnologias…

sexta-feira, julho 19, 2002

Imaginação

Portugal vai precisar de imaginação nos próximos tempos... Muita imaginação e algum rigor, regras claras e decisões céleres. Para que a sociedade de informação possa sorrir nos próximos tempos, e Portugal possa continuar no pelotão da frente das estatísticas e, mais importante do que isso, possa cativar as pessoas para uma utilização das novas tecnologias de modo a que consigam ter mais participação nos processos de decisão governativa.

A verdade é que as tecnologias estão aí. Ligação à banda larga - mas ainda não a preços massificadores, telemóveis com mais capacidades do que as que utilizamos, sites Internet que vão vingando. A descrença, essa sim, aquela característica madrasta que habita na mentalidade dos portugueses, é que também vai barrando tudo aquilo ao qual os portugueses têm direito...

Não temos ainda Televisão Digital Terrestre. Mas teremos. Não temos ainda UMTS - mas precisamos é que as operadoras se entendam para que se interliguem nos serviços GPRS, nomeadamente no MMS que tem virtudes que as pessoas querem experimentar. Não temos muita banda larga, é certo, mas a procura de ADSL foi maior nas últimas duas semanas do que no ano passado... Os nossos sites vão definhando sem apoios credíveis para sobreviver. E todos sabemos que as centrais de compras de espaço publicitário não sabem funcionar da forma mais correcta - quer seja na Internet quer offline. Porque não conhecem as palavras "especialização", "captação de público-alvo" mas somente a palavra "rappel"...

A imaginação que precisamos vai condicionar o país. Portugal precisa de acreditar que os serviços vão mudar, precisam de ter uma nova mentalidade e também de acreditar que o uso de um computador e de uma ligação à Internet é fundamental, quer seja no emprego ou em casa. Possuir um e-mail é quase tão importante - e se calhar vai ser mais - do que não esquecer de andar com o bilhete de identidade no bolso...

Se houver rigor e seriedade, Portugal será capaz de ombrear com os melhores exemplos e práticas europeias e mundiais. Ou pura e simplemente, queixar-se de mais esta oportunidade perdida. E é extremamente importante, senão vital que Portugal não perca esta caminhada rumo a uma sociedade ainda mais desenvolvida e próspera. As tecnologias são necessárias, úteis e bem introduzidas no quotidiano são ferramentas, não empecilhos a temer.

jmo@esoterica.pt

sexta-feira, julho 12, 2002

Esperança

Esta é daquelas semanas mesmo estranhas. Uma série de boas notícias podem desaparecer num ápice, quando se lê a história, sempre triste, da morte de alguém mais novo. Ainda para mais quando é alguém brilhante, que deverá estar a escrever programação noutro lado, sempre a pensar em distribui-la de forma livre. Com efeito, o movimento “open-source” perdeu uma das suas referências e a Sun Microsystems ficou sem uma mente muito brilhante que não conseguiu resistir ao sufoco da vida diária. Chamava-se Gene Kan, tinha 25 anos, era um dos mais conhecidos programadores de tecnologias P2P. tinha sido considerado pela Time Digital um dos doze “a observar”, as estrelas do momento e do futuro...

As outras notícias poderiam levar-me ao maior sorriso. Com efeito, tudo o que aconteceu nesta semana preconiza, se a natureza das coisas seguir o seu rumo normal, boas notícias para os consumidores portugueses, em especial para os que utilizem de forma “voraz” as novas tecnologias de comunicação. Com efeito, ao mesmo tempo que a oferta de ADSL ao mercado residencial via nascer novas ofertas - e uma curiosa e divertida luta para ser o primeiro a lançar o novo produto - o mercado das comunicações móveis assistiu a mais uma prova de força da Oniway . Rede em testes, pronta a ser lançada, embora em GPRS.

Atacando, até nas instâncias comunitárias, quem não permite a sua entrada no mercado - e cada vez mais estes acontecimentos são um “opereta” de bolsa... - a equipa de António Vidigal demonstra uma verdadeira “La pallissada” do nosso país: temos muitas leis mas não temos multas em condições. Aquelas multas dissuassoras que obriguem ao respeito e evitam situações de abuso de determinadas posições que podem ou não ser legais mas decerto que não são benéficas para o consumidor... Alguma vez deixaria o carro mal estacionado se soubesse que tinha garantida a multa de 200 euros? Agora neste país, as coisas não são bem assim. Embora pareçam...
É que quem não é de Lisboa ou Porto quer ligações à ADSL mais depressa, mais baratas e melhores e os que usam e abusam de telemóveis não têm onde escolher porque os planos tarifários são todos iguais. Não queremos estar à espera mais de um ano por uma tecnologia que outros já utilizam e tiram partido, o que imediatamente provoca desequilíbrios regionais... Não digo que é cartelização mas que quem não tem ganho muito é o consumidor...

sexta-feira, junho 28, 2002

Inconfundível dúvida

Há coisas que não são para perceber mesmo... Pelo menos é o que eu penso, quando leio certas notícias...

Expliquem-me por favor. Em vários jornais é referida a participação portuguesa na cimeira europeia para a área de telecomunicações e sociedade de informação, que aprovou uma pacote de medidas e que também avançou com o eEurope... Esta temática, esquecida por grande parte dos órgãos de comunicação social portugueses - especialmente na componente de análise sobre as suas consequências - tem tido uma importância pequena e restrita a poucos órgãos especializados, o que acho estranho derivado à real necessidade, achamos nós, de saber muito bem aquilo que se aprova lá fora para executar “cá dentro”...

Para além do destaque que lhe deveria ser dedicado, é de importância fundamental que as regiões e todos nós sem sintam capazes de ver aquilo que será possível fazer com este plano de acção. É que não estamos apenas a falar de temáticas relativas ao “gueto” digital. São assuntos tão importantes para o dia-a-dia das pessoas como as acessibilidades ou a educação. Exactamente porque se interligam. Acho que é um mero serviço público... falar sobre o assunto. E se a culpa é da comunicação social – e dos leitores, que querem ler é as tricas do futebol – os nossos governantes também não estão isentos de culpa.

Aquilo que não compreendo foi a representação portuguesa na tal cimeira. Mais concretamente, estiveram em Sevilha Dulce Franco e Valente de Oliveira. Se a primeira ainda se compreende, dado ter a pasta das telecomunicações no Ministério da Economia, já Valente de Oliveira parece um “corpo estranho” na engrenagem... Se há um Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro com essas competências, se também há um Ministro da Ciência com “algumas” das matérias mais interessante do plano de acção, qual é a lógica disto? Esperemos que este assunto fique resolvido rapidamente para que em Portugal se comece a ter mais literacia digital, rumo ao verdadeiro e-gov. Aqui, nesta coluna, tentarei dar a conhecer o verdadeiro Estado da Nação digital...

Mas as dúvidas também se colocam numa vertente muito mais prática do dia-a-dia dos portugueses. Em duas conversas com responsáveis de empresas fabricantes de hardware retive a velocidade avassaladora dos “ciclos de vida” dos produtos. Derivados dos avanços, é capaz de um modelo de computador, seja portátil ou não, apenas estar numa loja cerca de dois/três meses, sendo substituído pelo modelo mais recente... Imaginem agora a vossa dúvida mais profunda: compro ou não? Mas a verdade é que há uma resposta correcta no meio desta velocidade. Só comprem um computador quando precisarem dele...

jmo@esoterica.pt

sexta-feira, junho 14, 2002

A cor nos telemóveis

Estamos no advento de uma nova realidade no que concerne aos pequenos aparelhos que pendem das nossas mãos, bolsos e carteiras. Sim, o telemóvel está a mudar, de forma muito rápida e iremos sentir essa diferença já nos próximos dias - o que quer dizer que para o público em geral a mudança se sentirá no final do ano, princípios do próximo...

A lógica é simples: a introdução de novas "características" nos telemóveis é feita, por norma, nos telemóveis "premium", os topo de gama. Produtos que chegam ao mercado a 500/600 ou mais euros - acima da nossa antiga unidade cem contos... - e que depois, mercê da política de preços, campanhas ou políticas de fidelização, começam a co-existir com outros produtos, de preços mais baixos mas de igual potencial...
Isto sempre aconteceu mas haverá algo que o potenciará: três novas características, o GPRS, o MMS e os ecrãs a cores que vão existir em conjunto e educar a população para uma utilização, no mínimo, diferente, destes pequenos aparelhos.

Para quem usa computadores, sabe qual a grande vantagem de estar sempre ligado à Internet. Notícias actualizadas, serviços na ponta dos seus dedos, comunicação instantânea. O mesmo se aplicará aos telemóveis, que permitiram uma utilização multimédia, de forma simples e integrada. Actualmente já tinhamos PDA que podiam tirar fotografias mas que depois precisam de um outro módulo par as enviar para outro local. Agora isso já não é necessário... E milhentos outro serviços também poderão tirar partido destas características...

Estava com um colega meu a lembrar-me que o telemóvel - que até pode não ser uma grande miniatura - deverá ser como uma chave universal do futuro - servir para fazer pagamentos, como bilhete de cinema ou de parque de estacionamento, para comunicar e para trabalhar. Saber stocks, saber se tenho dinheiro para comprar uma determinada peça de roupa ou pura e simplemente para mandar uma mensagem multimédia para outras pessoas. Esse mundo novo não precisa de muito, porque as tecnologias-base estão já no mercado comercial: precisam de ser miniaturizadas, compactadas e postas à disposição, de forma lenta mas correcta, do público. É que este consegue ser ao mesmo tempo das entidades mais futuristas ou conservadoras - tudo depende da forma como são anunciados os produtos ou características...
Sabemos que estamos perto deste futuro. Aliás, ele já está a chegar... E por isso, quem gosa de estar na onda terá que o acompanhar...

sexta-feira, junho 07, 2002

O mercado está mau. pelo menos é o que todos dizem, desde o merceeiro ao inevitavelmente pessimista motorista de táxi - não que eu tenha nada contra a classe, que me conduz para todos os lados. Mas o sentimento de pessimismo continua a existir, quer em Portugal quer em grande da Europa e esse sintoma é pior quando estamos a falar do negócio das tecnologias das informação.

Uma das empresas conhecidas desta área, a KPNQwest entrou em ruptura no final da semana passada. Felizmente, a filial portuguesa, antiga Eunet está a fazer pela vida e o seu cash-flow positivo permite pensar em aguentar-se sozinha, estando mesmo a pensar voltar à antiga designação... é uma das poucas notícias agradáveis da semana e também tem um significado simbólico: é que foi a empresa que esteve na génese da Internet em Portugal. Quem é que, dessa altura, não se lembra do PUUG e da própria EUnet? Para quem esteve no início da Internet seria uma pena que actores tão importantes saissem do mercado...

Acredito que o mercado está mau mas não tão mau como o pintam. Um estudo da PWC Consulting, de grande categoria e do qual irei referir em próximas edições aponta os caminhos futuros para o sector das tecnologias de informação. Mas aquilo que eu acredito mesmo é que estamos numa fase de oportunidades.
Oportunidades essas que estão somente ao alcance de quem tem visão - não dos patos-bravos que costumam se seguir - e mesmo assim apenas do que tenham o cuidado dos mais previdentes.

As oportunidades passarão pelo Estado, que terá que se modernizar ferozmente - pelas novas tecnologias e seu modelo de negócio e pela banda larga, muito embora esta possa ser mais um mito, caso os serviços não sejam baseados num preço justo... Qualquer empresa terá que pensar em digital, qualquer entidade pública ou privada terá que pensar no seu cliente/utente.
Sem essa lógica, sem uma preparação futura para as novas tecnologias, a empresa estará condenada...

Para o cidadão comum, cada nova vaga tecnológica precisa de ser amadurecida e tratada. Também ouvi uma frase que me ficou na memória: é que para quem está tão envolvido nas novas tecnologias, como os gestores do meio e os jornalistas, as novidades não são tão novidades como isso. Mas para o cidadão comum, as novidades são verdadeiramente interessantes - só que nem tudo vale a pena e certos pormenores que por vezes são considerados fundamentais não interessam minimamente ao cidadão comum...

sábado, junho 01, 2002

Desabafos jornalísticos

Há dias em que dá um grande gozo ser jornalista. Outros em que sentimo-nos frustados por ter, do outro lado da linha, entidades que não compreendem que a nossa missão é informar e que todos os silêncios, mesmo que sejam “coerentes” segundo a opinião da empresa, não são correctos.
Há jornalistas e jornalistas. Bons e maus. Alguns éticos, outros nem por isso. O dia-a-dia do contacto com as fontes permite, mais do que um texto ou outro, que essa destrinça seja deslindada, de modo a que quer a empresa quer a jornalista saiba aquilo que podem contar... Aceito que as empresas, “usem” o silêncio.

Dada a lógica comercial de algumas das medidas, é natural que aquilo que se “pode” saber seja diferente daquilo que o jornalista está interessado em saber. Também aceito que certos colegas de profissão não sejam o mais correctos com certas empresas. Aliás, as fontes deveriam saber - ou as agências de comunicação deviam fazer o seu papel de consultoras - com quem estão a lidar e a melhor forma para isso...

De qualquer forma, aquilo que eu não entendo é a lógica de certas empresas que TUDO é segredo, que nada pode ser dito. E depois não aceitam os péssimos resultados das suas agências de comunicação. Que tentam, que tentam mas não conseguem...

O curioso é que com a Internet, basta um pouco de intuição, algum conhecimento das ferramentas ao dispôr e tempo para que um jornalista saiba coisas que o próprio empresário, ministro ou muitos outros interlocutores não sabem. E isso é algo de bom porque tira "o sagrado" que, no antigamente - na era antes da Internet - todos faziam de certas referências.

Nos tempos que correm, acho incrivel que certos jornalistas ainda se sujeitam a acreditar em terceiras fontes, quando está aos eu dispôr os verdadeiros objectos de análise jornalística. Um discurso de Bill Gates é tão fácil de encontrar como os resultados de uma empresa cotada ou uma explicação mais ou menos sumária de um determinado processo científico ou tecnológico.

Bem, basta de falar de jornalistas... O ministro José Luis Arnaut criticou publicamente uma parte do trabalho socialista na área da sociedade de informação, lembrando que os sites têm falta de estruturas transaccionais, e que é necessária uma mudança. Todos estamos de acordo que é preciso muito mais, como ainda há dias a Accenture confirmou...

Sugiro, é claro, ao ministro Arnaut que comece a mudar tudo. Ou então a reabrir alguns sites que estão em remodelação desde as eleições... Algo que não pode acontecer em democracia é a tentativa de guardar para si os números menos interessante e divulgar os outros. Os jornalistas que têm a Internet como a sua ferramenta e a verdade como princípio básico não perdoam.

sexta-feira, maio 31, 2002

Dinheiros

Esta semana estive indeciso sobre qual o assunto a escrever. Como esta indecisão mantece-se até à meia-noite de quarta-feira, decidi escrevinhar sobre três assuntos, que demonstram um pouco da nossa actual vidinha tecnológica lusitana...

Primeiro, a área dos telemóveis. Portugal é uma caixa de “ensaio” de tecnologias, produtos e serviços. Aquilo que muitas das empresas que trabalham para este sector já o diziam há muito tempo, mostrando os nossos inventos e aplicações práticas, também o cidadão comum o pode dizer. Somos dos primeiros países europeus com o serviço de mensagens escritas multimédia, com empresas aguerridas no mercado e a darem luta - umas vezes por dias, outras vezes por horas. Onde uma diz “experiência”, a outra reclama “lançamento comercial” e assim sucessivamente. o que é bom sinal para o consumidor. Veremos como é que o quatro operador se irá portar... Mas que tem dificuldades próprias de quem terá que “suar” muito, isso não há a mínima dúvida...

O serviço MMS tem tudo para ser um sucesso. É atraente, viciante e cativa a nova geração, que se inventou um código muito próprio nas mensagens escritas irá aumentar as suas possibilidades agora com o auxílio do multimédia. Imagino o dia em que haverá concursos diários para sabermos qual a melhor imagem multimédia e não faltará muito para termos muitas anedotas cómicas enviadas dessas formas, com sons a condizer...

Segundo, uma pequena notícia de um jornal diário demonstra aquilo que a burocracia não consegue emperrar - a nossa capacidade empreendedora, os nossos empresários com garra e, curiosamente, a demonstração que o sector das TIC é forte, pois resiste a candidaturas que “estão completamente bloqueadas”. Existir o caso de um SECTOR - sim, um sector como o das tecnologias de informação que está sem receber dinheiros do Plano Operacional de Economia, o conhecido POE, porque, simplemente, não há capacidade técnica para avaliar os projectos é muito ridiculo... Se fosse outro sector, já os comunicados seriam inúmeros...

Terceiro, o projecto Star.pt também demonstra que há verdadeiros empresários Internet. Pedro Reis e Sandra Cóias souberam apostar num produto correcto, com uma lógica igualmente eficaz e o seu Star.pt é um marco na nossa Internet que, tal como o país, não é mais do que meia dúzia de projectos com grande qualidade mas sem dinheiro e com muitos outros que não precisavem de ter dinheiro...

sexta-feira, maio 17, 2002

Desilusão

No final da semana passada levantei-me mais cedo da cama para ir, mais uma vez, à Exponor. Dado que sou de Aveiro, já não é a primeira vez que vou aquele espaço, do qual tenho boas recordações. Desta vez ia à Portugal Media, este ano com mais um nome a criar grandes expectativas - o da Fenasoft.

Apelidada assim de Portugal Media/Fenasoft Europa, a feira prometia, tendo também um congreso - ou melhor dois, um técnico e outro para os gestores - paralelo.
Aliás, eu tinha óptimas impressões da Portugal Media, quando lá tinha ido pela primeira vez, em 2000, numa altura em que a feira era um grande espaço onde se conjugava as tecnologias de informação, a área da publicidade e também tudo aquilo que lhe dava o nome: os media.

Bem, aquilo que posso dizer é que foi uma grande desilusão. Daquelas que dá vontade de escrver em letra grande, não fosse estar convencionado pelas novas tecnologias que isso significa GRITAR...

Gritar de raiva e de descrédito. Claro que vou dar mais uma oportunidade à Portugal Media/Fenasoft europa. Porque continuo a achar que a parceria com a Fenasoft, se não for só de nome, servirá para o futuro.

No entanto, e para já, Portugal só tem uma feira de jeito. Uma feira chamada Inforpor, capitaneada por uma jovem e dinâmica Alexandra Vasconcellos e que apenas precisa lembrar às empresas aquilo que se faz lá fora: uma feira é para apresentar NOVIDADES, uma feira é para ter press-releases produzidos com tempo e qualiadade e ter tempo para todos, jornalistas e profissionais.

Se conseguir isso, merece os parabéns e o crédito maior de quem continua a mostrar aquilo que é uma feira. E a pergunta, que outros meus colegas já fizeram mantém-se. Terá Portugal espaço para mais uma feira?

sexta-feira, maio 10, 2002

Mea culpa, sr. Ministro

Numa conversa circunstancial, das muitas que um jornalista tem ao longo do dia e nas quais vai apanhando pequenos fragmentos de interesse que irá reconstruir quanto tiver tempo, fiquei a saber que as palavras eleitorais de Durão Barroso queriam dizer - se é que ele queria mesmo dizer aquilo...

Por outras palavras, a estrutura e a política do Governo de Convergência Democrática para a área da sociedade de informação irão estar concentradas no “inner circle” de Durão Barroso. O primeiro-ministro irá, ele próprio, conduzir a gestão política deixando a componente operacional ao ministro-adjunto, José Luís Arnaut. Assim, discretamente, cumpre uma promessa eleitoral - não com as pessoas que se supunha mas enfim - e mantém uma estrutura de Governo reduzida, algo que prometeu quando viu quão depauperadas estavam as finanças públicas.

Claro que ainda há perguntas no ar. Quais as estruturas que irão ficar, aquelas que eram fundamentais ao desenvolvimento desta área ou as que irão estar divididas em tarefas decorrentes de duas ou mais tutelas. A gestão do POSI fica com José Luís Arnaut. E o Observatório da Ciência e Tecnologia, cujo trabalho na área dos dados sobre informação foi fundamental, fica no MCES? E a CISI - Comissão Interministerial para a Sociedade de Informação? E todos os projectos integrados como aqueles que estão enunciados no programa de Governo, nomeadamente as redes avançadas para a área da educação e ciência? Mais importante, como é que ficará a Agência de Inovação, que estava a trabalhar na órbita exclusiva do ex-MCT?

Aquilo que é certo é que a iniciativa legislativa na área será da responsabilidade directa do gabinete do primeiro-ministro. O advogado especialista em propriedade industrial será a “alma mater” da politica de sociedade de informação em Portugal e todos estão à espera de saber o que ele pretende para o país.

Para o fim que deixar outro tópico de conversa no ar. As novas tecnologias, a sua convergência e as necessidades que podem ser satisfeitas através delas podem ser motivo de gozo, incompreensão ou descrença. O cidadão informado deve batalhar pelas suas ideias dado que as novas tecnologias poderão dar muito mais vitalidade e justiça aos seus propósitos. Deixo-vos um exemplo: em Aveiro, um grupo de cidadãos obrigou a Câmara Municipal a discutir um assunto polémico - a destruição de uma casa classificada - em Assembleia Municipal. Sabem como? Construindo uma simples página Internet com um sistema de abaixo-assinado e pegando nas assinaturas (claro que convém ter um legalista ao lado) obrigou a "petição" a ser discutida. Se serve para alguma coisa? Serviu para que quinhentas pessoas com a mesma ideia ajudassem um ideal com um clicar de dedo. Pensem nisso...

sexta-feira, abril 26, 2002

Multimédia com necessidades

O mercado português do “multimédia” offline acordou esta semana de uma letargia que já se prolongava há meses. Bem, o mercado multimédia português que temos, é claro. Num mercado onde poucos apostam - o que só realça a actividade contínua da Porto Editora e do seu centro multimédia - e onde o CD-ROM para suporte de conteúdos interactivos já não se mostra actractivo para um consumidor que ainda não tem acesso em banda larga à Internet e que não está interessado em gastar alguns cêntimos em subscrições...

Um dos dois estudos que sairam esta semana sobre multimédia deixou algumas interrogações - ou ele foi mal dirigido ou os portugueses só consomem jogos no que concerne ao multimédia. Eu até acredito na segunda hipótese porque não acredito que quando se pergunta sobre uma marca de multimédia em portugal apareça em terceito lugar uma que já se extinguiu há mais de três anos...

As grandes casas do multimédia português são editoras ligadas ao segmento educativo. Nunca houve em Portugal um apoio forte e um incentivo - porque acho que poderiam existir capacidades - no maior mercado que existe, em termos multimédias: os jogos. Aqui, como em outros sectores, a pequenez do país é a resposta mais ouvida na profusão de justificações para o pouco investimento. A exemplo do cinema, as nossas actividades princípais são a legendagem, a adaptação para português e a distribuição...

Será que poderá ser de outro modo? Será que o multimédia português - online e offline - tem, efectivamente, futuro? Não sei. não quero transparecer algum pessimismo global mas as notícias mais recentes não me deixam pensar em futuros risonhos. Quando se fecham projectos com estabilidade e nome... Quando não temos determinados serviços e produtos numa língua que é a sexta mais falada do mundo...

Curiosamente a semana passada também ficou marcada pela entrega de prémios referentes ao Prémio Nacional Multimédia. Num jantar muito ao estilo "Hollywood", notou-se que a qualidade - on e off line - é algo que está intrínseco em termos de criatividade, inovação e opções técnicas/programáticas. Será que são apenas os meios económicos, o mercado, que nos condiciona?

Nos últimos meses foram realizadas, em CD-ROM, um conjunto de obras com grande valor para a área da literatura e multimédia. O futuro poderá ser interessante para coleccionadores, historiadores e outros grupos? E trabalhos para o cidadão comum? Para aquele que pretende apenas saber algo mais? Ou somos assim tão poucos?

Porque é que o mercado multimédia tem de ser à semelhança do sector do audiovisual e não igual ao da telefonia móvel? Gostava de desafiar os agentes do mercado a entrarem nesta grande debate.

jmo@esoterica.pt
João Manuel Oliveira é editor do suplemento de novas tecnologias da "A Capital"