quinta-feira, novembro 07, 2002

Desilusão

A pergunta "da moda" na semana passada, aquela que todos os jornalistas, elementos na área da comunicação e mesmo pessoas ligadas às empresas faziam umas às outras era muito parecida: "então, a Inforpor vale a pena?"

Queriam desta forma questionar se a Inforpor e as outras feiras que se realizaram na FIL durante o mês periodo e dedicadas às novas tecnologias tinham aquele "je ne sais quoi" que as faz serem imprescindíveis. Bem, insatisfeito como sou, só posso dizer duas palavras: "Sim" e "Não".

Sim, porque a feira, e repito-me , é a melhor estrutura e a mais conceituada no mercado português e por isso é incontornável. Para além disso, o formato escolhido e as datas também me parecem adequadas.

Não, porque as empresas continuam a não estar presentes por si, não apostam na feira - mas querem que se fale neles - e é necessário dar um impacto internacional à mesma.

A verdade é que não aceito que me atirem os argumentos de dimensão. Há outras feiras em Portugal (como a dos automóveis) onde as marcas internacionais apostam, ou há produtos cujo marketing é preparado em exclusivo para a data... E isso ainda falta às empresas e à estrutura de uma feira em Portugal.

A outra sugestão é, digamos, é aplicar o princípio da concentração. Juntarem-se os responsáveis e fazer uma única feira...
Num trabalho que estou a realizar, dou-me conta que o futuro próximo dos telemóveis é já em Janeiro. Ainda não chegamos ao UMTS mas a tendência já é outra, completamente diferente de há seis meses atrás. Neste momento, as empresas apostam em produtos com MMS (todos ou quase), com tecnologia GPRS, ecrãs a cores e os de gama média/alta com funcionalidades de câmara fotográfica. São operadores e fabricantes a pensar no aumento das receitas através da transmissão de dados.

Outro conceito muito interessante é aplicado, a partir desta semana, pela Vodafone. O “Live” não é mais do que a integração entre os menus do telemóvel e os serviços oferecidos por Wap/GPRS do portal da Vodafone/Vizzavi. Parece uma ideia simples mas é, acima de tudo, extremamente eficaz. Facilita a vida a quem quer utilizar os mecanismos avançados, pois vem tudo já configurado e, é claro, aumenta as receitas de dados. A facilidade de utilização é outra das grandes vantagens! Mas sobre este produto falarei noutra semana.

sexta-feira, outubro 25, 2002

Requiem por uma empresa

Se as mais recentes noticias estiverem correctas, estaremos a poucos dias de um abortivo funeral. Um nado-morto, com mais de 400 pessoas no seu seio irá falecer vitimada pelos anseios dos seus accionistas de parecerem "meninos bonitos" na Bolsa. A lógica do negócio que se consolida lentamente está a ser deturpada por uma regra que serviu para tudo, até para a GRANDE CRISE do sector na América: a vontade de mostrar contas bonitas aos detentores de acções e aos analistas faz com que os gestores pensem a curto prazo e não a longo prazo. E não estou a falar dos gestores da Oniway mas sim aos da EDP. Lembrem-se que na altura em que foi lançado o GSM os analistas também diziam algumas barbaridades sobre o potencial da coisa...

Mas se entendem que é melhor afastarem-se (e o Ministro da Economia até quis ajudar) lembrem-se que estão a perder o comboio do futuro e a cingirem-se ao mercado de rede fixa... E mais não dá vontade de dizer. Apenas uma palavra para os funcionários, que estiveram a criar algo de bonito e que verão as portas da rua abrirem-se e os consumidores.

Esses, e mais uma vez me repito, ninguém os defende. Algum dos analistas que já se debruçou sobre a perspectiva de consolidação do sector móvel pensou que se em Portugal ficarmos com apenas duas redes - e mesmo tal como estamos, quem fica a perder é o consumidor?

Uma empresa entra no mercado porque acha que é uma oportunidade. Os concorrentes deveriam aceitar essa entrada e lutar com as armas minimamente éticas. Não me digam que quem quer a Oniway fora do mercado defende os consumidorees desse sector, porque essa eu não compro...

Mas nem só de más noticias está o mercado. Em relação à sociedade de informação, louve-se o Conselho de Ministros do passado Sábado que finalmente nos proporcionou uma alegria sobre a coordenação existente para a área. Finalmente resolvida a questão central do comando, ficaremos curiosos sobre a vitalidade de Diogo Vasconcelos, o indigitado presidente da unidade de missão para resistir a potenciais cortes orçamentais e fazer com que o Governo esteja online, tem mentalidade de online e avance decididamente nesta área. A Democracia electrónica avança em pequenos passos.

sexta-feira, outubro 18, 2002

Publicidades

Há um conjunto de perguntas óbvias que qualquer colunista deverá fazer ao seu público, ainda para mais se pretende escrever sobre o sentimento das pessoas em relação à economia. Será que a crise está a afectar os bolsos da classe média ou é apenas um fantasma?
As perguntas são várias. Qual é o seu sentimento? Estamos em crise? Estamos bem? Acha que as expectativas é que formam a sua opinião ou baseia-se em factos concretos? O estudo científico da vontade dos cidadãos daria, sem dúvida, matéria bastante para os “marketeiros” das nossas empresas. É que é pela base - saber a razão pela qual o “consumidor” adquire ou não o “meu” produto - que se poderá direccionar as campanhas, as promoções, e outras ferramentas com que se tenta o objectivo último de cada empresa: vender mais.

Mas será que tudo é possível de ser medido? Será que os factores instintivos - a publicidade é amarela, gosto da marca, é a que escolhe a minha namorada, etc - não desvirtuam a capacidade em analisar cientificamente as vendas?

Refiro-me a isto por uma mera opinião pessoal. Eu não tentaria denegrir o “produto” para vender a minha solução específica. Acho que essa estratégia poderia levar a efeitos perversos: talvez haja menos pessoas a ter uma opinião positiva em relação ao produto, talvez acontecesse que no processo de decisão as pessoas se lembrassem das críticas feitas ao mesmo e ainda, o que seria grave, as afirmações produzidas fizessem com que certas pessoas a quem já o vendi se lembrassem de me questionar acerca da qualidade daquilo que lhes vendi.

Qualquer semelhança com publicidades recentes na área é pura coincidência... É claro que me estou a referir à publicidade ao produto ADSL feita pela NovisNet que lembre que 70 por cento da pornografia é vista em horário laboral. E também lembram aos gestores que as pessoas sérias que estão a trabalhar podem estar a consulta a sua conta bancária, a ir às compras ou a jogar num qualquer casino.

Será que este tipo de publicidade leva o gestor a decidir-se pelo produto da empresa ou, antes a decidir-se por nenhum produto? Ou a comentar numa qualquer reunião que a Internet é aquela coisa “que só faz perder tempo” e ser “pouco produtivo”?

Acho que o “briefing” desta publicidade sofreu de “humorite aguda” e destruiu aquilo que, de bom, alguns dos outros promocionais da marca tinham conseguido para a mudança de mentalidade.

sexta-feira, outubro 11, 2002

A novela

Uma das grandes vantages de ser colunista de um órgão de comunicação social especializado prende-se com o evitar de escrever sobre aqueles acontecimentos curiosos, tipo novelas, que nunca mais terminam e que enredam cada vez mais os seus intervinientes, de cada vez que os assuntos são comentados. Safei-me, neste Verão, a comentar o caso Portas, o BB Famosos, a novela Jardel entre outros assuntos que passaram as "marcas" em termos de acontecimentos, com cenas caricatas de parte a parte.

Bem, isso pensava eu! Esqueci-me de um assunto-novela que dá pelo nome de "Interligação". A trama é interessante para engenheiros e advogados: coloca frente a frente conceitos tão díspares como operadores virtuais, redes UMTS, actos administrativos, entidades reguladoras que pouco regulam e empresas que juram estar a defender os consumidores.

Claro que os actores não são dos mais conhecidos e têm nomes esquisitos, cheios de siglas: ANACOM, Optimus, Vodafone, Oniway e, num papel secundário, a TMN. Pelo meio, alguns actores já sairam, outros tiveram que alterar a sua postura, e o imbróglio continua.

Os consumidores não tidos nem achados. E arriscamo-nos, se a novela continua, a manter uma política de preços móveis altos, sem concorrência à altura... Esperamos para ver...