sexta-feira, julho 12, 2002

Esperança

Esta é daquelas semanas mesmo estranhas. Uma série de boas notícias podem desaparecer num ápice, quando se lê a história, sempre triste, da morte de alguém mais novo. Ainda para mais quando é alguém brilhante, que deverá estar a escrever programação noutro lado, sempre a pensar em distribui-la de forma livre. Com efeito, o movimento “open-source” perdeu uma das suas referências e a Sun Microsystems ficou sem uma mente muito brilhante que não conseguiu resistir ao sufoco da vida diária. Chamava-se Gene Kan, tinha 25 anos, era um dos mais conhecidos programadores de tecnologias P2P. tinha sido considerado pela Time Digital um dos doze “a observar”, as estrelas do momento e do futuro...

As outras notícias poderiam levar-me ao maior sorriso. Com efeito, tudo o que aconteceu nesta semana preconiza, se a natureza das coisas seguir o seu rumo normal, boas notícias para os consumidores portugueses, em especial para os que utilizem de forma “voraz” as novas tecnologias de comunicação. Com efeito, ao mesmo tempo que a oferta de ADSL ao mercado residencial via nascer novas ofertas - e uma curiosa e divertida luta para ser o primeiro a lançar o novo produto - o mercado das comunicações móveis assistiu a mais uma prova de força da Oniway . Rede em testes, pronta a ser lançada, embora em GPRS.

Atacando, até nas instâncias comunitárias, quem não permite a sua entrada no mercado - e cada vez mais estes acontecimentos são um “opereta” de bolsa... - a equipa de António Vidigal demonstra uma verdadeira “La pallissada” do nosso país: temos muitas leis mas não temos multas em condições. Aquelas multas dissuassoras que obriguem ao respeito e evitam situações de abuso de determinadas posições que podem ou não ser legais mas decerto que não são benéficas para o consumidor... Alguma vez deixaria o carro mal estacionado se soubesse que tinha garantida a multa de 200 euros? Agora neste país, as coisas não são bem assim. Embora pareçam...
É que quem não é de Lisboa ou Porto quer ligações à ADSL mais depressa, mais baratas e melhores e os que usam e abusam de telemóveis não têm onde escolher porque os planos tarifários são todos iguais. Não queremos estar à espera mais de um ano por uma tecnologia que outros já utilizam e tiram partido, o que imediatamente provoca desequilíbrios regionais... Não digo que é cartelização mas que quem não tem ganho muito é o consumidor...

sexta-feira, junho 28, 2002

Inconfundível dúvida

Há coisas que não são para perceber mesmo... Pelo menos é o que eu penso, quando leio certas notícias...

Expliquem-me por favor. Em vários jornais é referida a participação portuguesa na cimeira europeia para a área de telecomunicações e sociedade de informação, que aprovou uma pacote de medidas e que também avançou com o eEurope... Esta temática, esquecida por grande parte dos órgãos de comunicação social portugueses - especialmente na componente de análise sobre as suas consequências - tem tido uma importância pequena e restrita a poucos órgãos especializados, o que acho estranho derivado à real necessidade, achamos nós, de saber muito bem aquilo que se aprova lá fora para executar “cá dentro”...

Para além do destaque que lhe deveria ser dedicado, é de importância fundamental que as regiões e todos nós sem sintam capazes de ver aquilo que será possível fazer com este plano de acção. É que não estamos apenas a falar de temáticas relativas ao “gueto” digital. São assuntos tão importantes para o dia-a-dia das pessoas como as acessibilidades ou a educação. Exactamente porque se interligam. Acho que é um mero serviço público... falar sobre o assunto. E se a culpa é da comunicação social – e dos leitores, que querem ler é as tricas do futebol – os nossos governantes também não estão isentos de culpa.

Aquilo que não compreendo foi a representação portuguesa na tal cimeira. Mais concretamente, estiveram em Sevilha Dulce Franco e Valente de Oliveira. Se a primeira ainda se compreende, dado ter a pasta das telecomunicações no Ministério da Economia, já Valente de Oliveira parece um “corpo estranho” na engrenagem... Se há um Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro com essas competências, se também há um Ministro da Ciência com “algumas” das matérias mais interessante do plano de acção, qual é a lógica disto? Esperemos que este assunto fique resolvido rapidamente para que em Portugal se comece a ter mais literacia digital, rumo ao verdadeiro e-gov. Aqui, nesta coluna, tentarei dar a conhecer o verdadeiro Estado da Nação digital...

Mas as dúvidas também se colocam numa vertente muito mais prática do dia-a-dia dos portugueses. Em duas conversas com responsáveis de empresas fabricantes de hardware retive a velocidade avassaladora dos “ciclos de vida” dos produtos. Derivados dos avanços, é capaz de um modelo de computador, seja portátil ou não, apenas estar numa loja cerca de dois/três meses, sendo substituído pelo modelo mais recente... Imaginem agora a vossa dúvida mais profunda: compro ou não? Mas a verdade é que há uma resposta correcta no meio desta velocidade. Só comprem um computador quando precisarem dele...

jmo@esoterica.pt

sexta-feira, junho 14, 2002

A cor nos telemóveis

Estamos no advento de uma nova realidade no que concerne aos pequenos aparelhos que pendem das nossas mãos, bolsos e carteiras. Sim, o telemóvel está a mudar, de forma muito rápida e iremos sentir essa diferença já nos próximos dias - o que quer dizer que para o público em geral a mudança se sentirá no final do ano, princípios do próximo...

A lógica é simples: a introdução de novas "características" nos telemóveis é feita, por norma, nos telemóveis "premium", os topo de gama. Produtos que chegam ao mercado a 500/600 ou mais euros - acima da nossa antiga unidade cem contos... - e que depois, mercê da política de preços, campanhas ou políticas de fidelização, começam a co-existir com outros produtos, de preços mais baixos mas de igual potencial...
Isto sempre aconteceu mas haverá algo que o potenciará: três novas características, o GPRS, o MMS e os ecrãs a cores que vão existir em conjunto e educar a população para uma utilização, no mínimo, diferente, destes pequenos aparelhos.

Para quem usa computadores, sabe qual a grande vantagem de estar sempre ligado à Internet. Notícias actualizadas, serviços na ponta dos seus dedos, comunicação instantânea. O mesmo se aplicará aos telemóveis, que permitiram uma utilização multimédia, de forma simples e integrada. Actualmente já tinhamos PDA que podiam tirar fotografias mas que depois precisam de um outro módulo par as enviar para outro local. Agora isso já não é necessário... E milhentos outro serviços também poderão tirar partido destas características...

Estava com um colega meu a lembrar-me que o telemóvel - que até pode não ser uma grande miniatura - deverá ser como uma chave universal do futuro - servir para fazer pagamentos, como bilhete de cinema ou de parque de estacionamento, para comunicar e para trabalhar. Saber stocks, saber se tenho dinheiro para comprar uma determinada peça de roupa ou pura e simplemente para mandar uma mensagem multimédia para outras pessoas. Esse mundo novo não precisa de muito, porque as tecnologias-base estão já no mercado comercial: precisam de ser miniaturizadas, compactadas e postas à disposição, de forma lenta mas correcta, do público. É que este consegue ser ao mesmo tempo das entidades mais futuristas ou conservadoras - tudo depende da forma como são anunciados os produtos ou características...
Sabemos que estamos perto deste futuro. Aliás, ele já está a chegar... E por isso, quem gosa de estar na onda terá que o acompanhar...

sexta-feira, junho 07, 2002

O mercado está mau. pelo menos é o que todos dizem, desde o merceeiro ao inevitavelmente pessimista motorista de táxi - não que eu tenha nada contra a classe, que me conduz para todos os lados. Mas o sentimento de pessimismo continua a existir, quer em Portugal quer em grande da Europa e esse sintoma é pior quando estamos a falar do negócio das tecnologias das informação.

Uma das empresas conhecidas desta área, a KPNQwest entrou em ruptura no final da semana passada. Felizmente, a filial portuguesa, antiga Eunet está a fazer pela vida e o seu cash-flow positivo permite pensar em aguentar-se sozinha, estando mesmo a pensar voltar à antiga designação... é uma das poucas notícias agradáveis da semana e também tem um significado simbólico: é que foi a empresa que esteve na génese da Internet em Portugal. Quem é que, dessa altura, não se lembra do PUUG e da própria EUnet? Para quem esteve no início da Internet seria uma pena que actores tão importantes saissem do mercado...

Acredito que o mercado está mau mas não tão mau como o pintam. Um estudo da PWC Consulting, de grande categoria e do qual irei referir em próximas edições aponta os caminhos futuros para o sector das tecnologias de informação. Mas aquilo que eu acredito mesmo é que estamos numa fase de oportunidades.
Oportunidades essas que estão somente ao alcance de quem tem visão - não dos patos-bravos que costumam se seguir - e mesmo assim apenas do que tenham o cuidado dos mais previdentes.

As oportunidades passarão pelo Estado, que terá que se modernizar ferozmente - pelas novas tecnologias e seu modelo de negócio e pela banda larga, muito embora esta possa ser mais um mito, caso os serviços não sejam baseados num preço justo... Qualquer empresa terá que pensar em digital, qualquer entidade pública ou privada terá que pensar no seu cliente/utente.
Sem essa lógica, sem uma preparação futura para as novas tecnologias, a empresa estará condenada...

Para o cidadão comum, cada nova vaga tecnológica precisa de ser amadurecida e tratada. Também ouvi uma frase que me ficou na memória: é que para quem está tão envolvido nas novas tecnologias, como os gestores do meio e os jornalistas, as novidades não são tão novidades como isso. Mas para o cidadão comum, as novidades são verdadeiramente interessantes - só que nem tudo vale a pena e certos pormenores que por vezes são considerados fundamentais não interessam minimamente ao cidadão comum...