Desabafos jornalísticos
Há dias em que dá um grande gozo ser jornalista. Outros em que sentimo-nos frustados por ter, do outro lado da linha, entidades que não compreendem que a nossa missão é informar e que todos os silêncios, mesmo que sejam “coerentes” segundo a opinião da empresa, não são correctos.
Há jornalistas e jornalistas. Bons e maus. Alguns éticos, outros nem por isso. O dia-a-dia do contacto com as fontes permite, mais do que um texto ou outro, que essa destrinça seja deslindada, de modo a que quer a empresa quer a jornalista saiba aquilo que podem contar... Aceito que as empresas, “usem” o silêncio.
Dada a lógica comercial de algumas das medidas, é natural que aquilo que se “pode” saber seja diferente daquilo que o jornalista está interessado em saber. Também aceito que certos colegas de profissão não sejam o mais correctos com certas empresas. Aliás, as fontes deveriam saber - ou as agências de comunicação deviam fazer o seu papel de consultoras - com quem estão a lidar e a melhor forma para isso...
De qualquer forma, aquilo que eu não entendo é a lógica de certas empresas que TUDO é segredo, que nada pode ser dito. E depois não aceitam os péssimos resultados das suas agências de comunicação. Que tentam, que tentam mas não conseguem...
O curioso é que com a Internet, basta um pouco de intuição, algum conhecimento das ferramentas ao dispôr e tempo para que um jornalista saiba coisas que o próprio empresário, ministro ou muitos outros interlocutores não sabem. E isso é algo de bom porque tira "o sagrado" que, no antigamente - na era antes da Internet - todos faziam de certas referências.
Nos tempos que correm, acho incrivel que certos jornalistas ainda se sujeitam a acreditar em terceiras fontes, quando está aos eu dispôr os verdadeiros objectos de análise jornalística. Um discurso de Bill Gates é tão fácil de encontrar como os resultados de uma empresa cotada ou uma explicação mais ou menos sumária de um determinado processo científico ou tecnológico.
Bem, basta de falar de jornalistas... O ministro José Luis Arnaut criticou publicamente uma parte do trabalho socialista na área da sociedade de informação, lembrando que os sites têm falta de estruturas transaccionais, e que é necessária uma mudança. Todos estamos de acordo que é preciso muito mais, como ainda há dias a Accenture confirmou...
Sugiro, é claro, ao ministro Arnaut que comece a mudar tudo. Ou então a reabrir alguns sites que estão em remodelação desde as eleições... Algo que não pode acontecer em democracia é a tentativa de guardar para si os números menos interessante e divulgar os outros. Os jornalistas que têm a Internet como a sua ferramenta e a verdade como princípio básico não perdoam.



